Os católicos devotos – sejam os mais assíduos ou aqueles que só recorrem ao Divino em alturas de aperto – reconhecem a importância (simbologia) do número quarenta para a fé cristã. Jesus Cristo, antes de iniciar a sua vida pública, retirou-se no deserto por quarenta dias e noites sem comer. Como se não bastasse, ainda teve de aturar o Mafarrico e suas falsas promessas. O equivalente aos políticos da era moderna. Curiosamente, nos dias que correm, um vírus de origem malévola remeteu-nos, católicos ou não, a um regime de confinamento e solidão domiciliária durante pouco mais de quarenta dias. Ao contrário do episódio bíblico, seguramente ninguém fez jejum, mas verificou-se uma total dependência de programas televisivos e redes sociais demoníacas. A situação agravou-se quando, para respeitar o isolamento, o Governo decidiu encerrar as igrejas. Porém, a resiliência da Igreja é sobejamente conhecida e, mesmo de portas fechadas, encontrou forma de mostrar que está activa. Encorajaram a adesão massiva às redes sociais e programas televisivos (basicamente, venderam a alma ao Diabo!) sem esquecer, de igual modo, as visitas domiciliárias regulares aos fiéis devotos. Os mesmos que outrora eram excomungados na Missa de Domingo por ficarem em casa a ressonar…
A fé move-se por caminhos misteriosos e, com o aproximar da Páscoa, foi preciso reforçar a crença aos pobres de espírito que cumprem os dias em prisão domiciliária. Uma carrinha de caixa aberta foi a solução encontrada pelos senhores de batina que, munidos do tradicional crucifixo e megafone, aceitaram o desafio de espalhar a palavra pelas aldeias, tendo sempre em atenção os arranques e travagens mais bruscas de quem conduz a carripana: não vá Nosso Senhor arrancar e o padre cair de costas! As televisões foram convocadas para dar testemunho destas visitas pascais inéditas e, nas redes sociais, as partilhas ajudaram a espalhar a boa nova. A prova de vida que a Igreja procurava desesperadamente. Porque, nesta luta do Bem contra o Mal, é imperativo aproveitar todos os meios para divulgar e partilhar gestos sagrados. Longe vai o tempo dos profetas que, naquele tempo, limitaram-se a espalhar a palavra sem tecnologia digital.
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