2016/09/30

O TERROR PARA OS ACELERAS

O anúncio foi feito com a pompa e circunstância que a ocasião exigia. Um reforço de peso para a frota da Polícia Segurança Pública. Um aviso aos mauzões e pilotos de rally das estradas nacionais. Cuidem-se! Porque a mais recente aquisição é um Audi R8 4.2 Fsi Quattro. Promete não dar tréguas aos que colocam a vida de todos em risco. Este veículo já pertenceu ao jogador Angel Di Maria quando ainda estava no Benfica. Foi vendido a um stand de automóveis e adquirido por um dos maiores traficantes de droga do País. Apreendido, em 2013, numa grande operação policial, está agora na posse do Estado Português. O terror para os aceleras... 

Com 420 cv, atinge uma velocidade superior a 300 km/h. Chega aos 100 km/h em menos de 5 segundos. Convém recordar que uma máquina destas não é para todas as bolsas. Custa cerca de 170 mil euros. Numa fase inicial ficará por Lisboa para acções de fiscalização, visitas de estudo ou exibições públicas como efeito dissuasor. Contudo, em caso de necessidade, será usado por todo o país. Certamente ao divulgar, desta forma, tamanho reforço policial, as autoridades deveriam saber que ficam mais expostas aos olhares indiscretos que anseiam por uma qualquer escorregadela. Não foi preciso aguardar muito tempo para ver, nas redes sociais, uma fotografia, deste bólide, numa auto-estrada em cima de um reboque. Há dificuldades orçamentais na Administração Pública. Muitas viaturas policiais estão amontoadas em garagens ou parques por falta de peças ou combustível. Algo que um veículo, desta categoria, consome em quantidades descomunais! Não anda a água! Contudo, ainda agora entrou ao serviço e já está de baixa.

2016/09/23

ALGO DIFÍCIL DE ENTENDER

Em Valado dos Frades existe um parque empresarial com 34 lotes, uma área de equipamento comercial e de serviços, para apoio logístico às unidades instaladas. Encarado, pela Câmara da Nazaré, como um dos projectos-âncora do desenvolvimento do concelho e criação de emprego. O projecto foi candidato a fundos comunitários. Incumprimentos provocaram a rescisão definitiva da candidatura. Algumas infra-estruturas ficaram por concluir por dificuldades financeiras. A MDPlastics – única empresa a laborar no parque – efectuou um investimento na ordem dos 10 milhões de euros. Em 2015 iniciou a sua actividade. Desculpem, calvário! Numa conferência de imprensa, a administração informou que se encontra impossibilitada de receber energia eléctrica. Graças a um desentendimento entre a Edp e a autarquia...

Segundo o administrador, o problema reside no facto de a Câmara não aceitar entregar, a título de propriedade e posse, as infra-estruturas eléctricas de média tensão, à Edp, para que sejam ligadas à rede pública. Esta teimosia dura há cerca de onze meses. A empresa recorre a geradores para funcionar mas não consegue tirar partido de toda a capacidade instalada. Os prejuízos directos mensais rondam os 60 mil euros, devido aos custos com equipamento e combustível. Este caso chegou aos tribunais que decidiram contra a autarquia. Ainda assim, Walter Chicharro manteve a posição, o que levou a empresa a intentar um processo de execução coerciva, do qual aguarda sentença. Tamanhas dificuldades causadas por mentalidades casmurras e retrógradas é algo difícil de entender. O parque empresarial desespera por lotes que não se vendem. Talvez seja fácil entender qual o motivo.

2016/09/16

IDE PARA A VOSSA TERRA!

A primeira crónica escrita em directo! A emoção do momento e a informação fornecida, pelos diversos canais televisivos, impeliram-me para começar a escrever. Não há memória de tantos barrigudos envelhecidos no mesmo plano televisivo. Os taxistas reuniram-se num buzinão monumental que causou o caos nas estradas de Lisboa. O protesto foi organizado a nível nacional para contestar a decisão do governo em aprovar e legitimar a actividade da “Uber” e “Cabify”. Segundo os taxistas, estas organizações são ilegais e devem cessar actividade. E deixar de roubar os clientes! Todos sabemos que a expressão “protesto pacífico” é algo que as autoridades gostam de ouvir. É reconfortante e até funciona nos primeiros instantes. Depois, os ânimos exacerbados possuem os manifestantes e acaba tudo ao barulho. Porque não aceitam um não como resposta...

Estou há duas horas a receber novidades da capital através de um canal televisivo. Acompanham o trajecto dos manifestantes e aproveitam para recolher algumas declarações. Entre frases mais impróprias e insultos, tudo serve para explicar aquilo que não se sabe. Há uma manifestação e é preciso ir. O porquê não se sabe. É o espírito sindical! O exponente máximo da ignorância chegou numa frase – que espelha o elevado grau de civismo e cultura – “Ide para a vossa terra!”. Parabéns. Um excelente argumento! No aeroporto, junto ao posto de combustível, também se verificam incidentes e momentos de tensão. Um grupo avistou uma viatura da concorrência e resolveu recorrer às ameaças e tentativa de agressão. Num país livre, é esta a forma que alguns Tugas – com cérebro tão oco como um airbag – encontram para exigir, ao governo, a satisfação das suas exigências. Contra tudo e todos, porque tem de ser.


2016/09/09

TERRORISTAS NO AEROPORTO

A comunicação social tem um papel essencial na divulgação das notícias às populações. Um jornalista sabe que deve respeitar um código deontológico. Antes de passar uma mensagem convém averiguar. Outros preferem recorrer ao lado sensacionalista. Sem qualquer rigor. A pista de aterragem, do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, esteve encerrada por trinta minutos por razões de segurança. Foram avistadas pessoas junto à pista. Como os Tugas escarrapacham tudo nas redes sociais o burburinho começou. A curiosidade começou a ganhar adeptos. Em pouco tempo, todos nós – no conforto do nosso sofá – assistíamos, em directo, às tentativas rocambolescas de saber mais...

Na ausência de comunicados oficiais, focaram a atenção para as pessoas que aguardavam nos corredores do aeroporto. Muitas delas desconheciam o que se estava a passar. Não interessa! Um depoimento (um senhor que aguardava familiares de Faro) captou a minha atenção: «segundo consta até podiam ser alguns drogados a caçar Pokémons, não sei. Isto agora anda tudo maluco! Já ninguém dá conta disto. Isto é um flagelo. (…) Queria era o reembolso do estacionamento. Pagava, tipo, meia hora e o resto pagavam eles. (…) O avião anda lá em cima às voltas. Disseram que está tudo bem e que não vai precisar de “gazoil”.» Segundo a Unidade Nacional Contra Terrorismo, da Polícia Judiciária, foram detidos quatro indivíduos argelinos. Escaparam por uma porta de emergência antes da zona de controlo de passaportes. Não se confirmou qualquer ligação a células terroristas. Apenas pessoas que procuravam uma oportunidade na Europa e que não faziam ideia dos rumores e disparates que, no aeroporto, tinham inventado sobre eles.

2016/09/02

PERDIDOS EM ARRANHÓ

Arranhó. Freguesia do concelho de Arruda dos Vinhos com cerca de 2.300 habitantes. Tem património histórico e um museu dedicado à escritora e pedagoga Irene do Céu Vieira Lisboa. Em 2016 conseguiu notabilidade nacional graças à 78ª edição da Volta a Portugal em bicicleta. Decorria a oitava etapa que ligou a Nazaré a Arruda dos Vinhos. A transmissão televisiva mostrava o pelotão perseguidor do grupo de fuga, com cerca de seis minutos de atraso, quando o comentador referiu a invulgar presença de várias viaturas automóveis, estacionadas à revelia, no percurso oficial da prova. O sinal de alerta. Havia algo de errado... 

A cerca de 16 quilómetros do final da etapa, o pelotão seguiu por um trajecto errado. O engano surgiu perto de Arranhó, numa rotunda em que dezenas de ciclistas se equivocaram, seguindo pela esquerda ao invés de continuar em frente. Entretanto, o grupo de fuga – que cumpriu à risca as indicações do percurso – recebeu ordens para parar e aguardar pelos restantes ciclistas e explicações. O director da Volta, Joaquim Gomes, confessou-se incrédulo e surpreendido com o engano do pelotão que, com isto, realizou mais 4 quilómetros que os inicialmente previstos. A etapa foi retomada aquando da chegada dos corredores ao local correcto. Os tempos de prova foram mantidos. Tratou-se de uma situação caricata que apenas vem reforçar um verdade assumida e incontornável: os Tugas têm sérias dificuldades em circular nas rotundas.