2024/06/21

PRAZO DE VALIDADE

Não me considero um polícia da despensa lá de casa, nem quero pôr em risco a minha saúde ao contrariar a gestão eficiente da minha esposa, mas confesso que, de vez em quando, verifico se a comida que lá está cumpre o respectivo prazo de validade. Acredito piamente nas indicações do fabricante e, se lá está escrita uma data, será melhor respeitar em vez de levar com uma valente gastroenterite. Porém, há os cépticos que garantem que a data está manipulada e não há qualquer perigo em enfiar no bucho alimentos com aspecto diferente do original. Antes uma dor de barriga, sacudidela no bolor ou retirar a parte estragada, que mandar dinheiro para o lixo. Por mais bonito e apetitoso que possa parecer, a verdade é que o interior – a parte mais interessante – estragou-se com a longa espera numa qualquer prateleira. Um sinal claro de ter mais olhos que barriga! E, mesmo sabendo que vou ser acusado de machismo, digo que tal fenómeno acontece com algumas mulheres…

De telemóvel na mão, duas jovens donzelas, vasculhavam as tendências de uma loja de vestuário para adolescentes. Aquela marca era a única que aceitavam ouvir falar – infelizmente, como não recebo pela referência vou continuar a crónica sem a bendita publicidade. O barulho das unhas postiças a tocar no visor era, para além do tamanho excessivo, sinal de alergia a tarefas domésticas – há coisas que nem a lógica consegue explicar! Ao lado, uma pequena bolsa (pochete, penso eu) com um espelho pequeno e material para pintura facial. A cada dez minutos, o mesmo ritual: retocar a fronha e “selfie” para as redes sociais, onde o conteúdo assenta nas “stories” publicadas pelos amigos ou malta desconhecida que segue o perfil. Sem nenhum compromisso ou plano para o futuro, excepto agendar a marcação de cabeleireiro e manutenção das unhas. Toda uma obsessão por um estatuto de beleza que dispensa qualquer tipo de relacionamento. Uma beleza supérflua e oca, que apenas anseia por reacções nas redes sociais. Um falso sentimento de estrelato. São escolhas! Contudo, o tempo não perdoa e tal como a fruta (lá de casa), existe um prazo de validade e altura certa para serem comidas.