Há palavras que entram no nosso vocabulário com a subtileza de um elefante numa loja de cristais e a "zona de pressão urbana" é, sem dúvida, a rainha desta nova etiqueta semântica. Mas não se deixem enganar pelo tom técnico e quase clínico da expressão; na verdade, é apenas um palavrão burocrático inventado para que as autarquias possam, na paz do Senhor e com a mão leve no bolso alheio, transformar o vosso IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) num filme de terror digno de Hollywood. Imaginem a cena: abrem a nota de liquidação, esperam o valor do costume — aquele que já custa a engolir entre um café e um suspiro — e, de repente, dão de caras com um montante que parece o código postal de uma cidade distante. Dez vezes mais? Sim, leram bem! (E façam o favor de não esfregar os olhos, que o erro não é da vossa visão, é da vossa conta bancária). Sem um aviso prévio, sem um "olhe que isto agora vai doer" e, acima de tudo, sem qualquer consideração por quem herdou um terreno ou mantém uma casa devoluta porque a vida, essa malandra, não lhe permitiu ainda erguer palácios. O que as nossas mentes brilhantes da administração local parecem ignorar é que nem todo o proprietário é um magnata do imobiliário a aguardar que o ouro caia do céu.
Para muitos de vós — e partilho aqui a vossa estupefacção — este aumento descomunal é um convite educado, mas musculado, à venda forçada. "Se não tem dinheiro para o imposto, então que venda!", parecem sussurrar as paredes frias das repartições. É uma espécie de lógica de mercado feita à base de pressão alta, onde a propriedade deixa de ser um direito para passar a ser um castigo financeiro. No fundo, este sistema de "pressão urbana" é como aquele convidado que aparece para jantar sem avisar, come tudo o que está no frigorífico e ainda nos manda a conta da luz no final do mês. Ficamos ali, estupefactos, a olhar para o papel, sentindo-nos como o "comum mortal" que, além de pagar para viver, agora tem de pagar uma fortuna para que a sua propriedade não seja, simplesmente, devorada pela próxima actualização do sistema tributário. Haja paciência (e carteira) para tanta criatividade fiscal.
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