2016/03/25

SOLUÇÕES DRÁSTICAS

Ao longe, o toque desenfreado das sirenes captaram a atenção de todos os transeuntes que circulavam na avenida. Com preocupação, todos questionaram o motivo de tanto alarido e sua gravidade. E eis que surge, no horizonte, uma viatura reboque ao serviço da polícia municipal e uma viatura de socorro da corporação de bombeiros local. Rapidamente, uma pequena árvore, plantada no meio de um passeio público, transformou-se no centro das atenções. Não se vislumbrou qualquer indício do motivo da urgência! Tudo em redor estava normal. Motivo (mais que suficiente) para se formar um pequeno ajuntamento de observadores sazonais para avaliar o panorama. Entretanto, depois de colocar a escada, um bombeiro, desapareceu por entre as folhas...

Para combater a falta de informação, alguns dos presentes desenvolvem estranhas teorias. «Vão cortar os galhos». «É um ninho de vespas asiáticas». Um grito de comando, vindo do interior da árvore, interrompeu a formulação de teorias. Um segundo bombeiro começou a retirar a mangueira da viatura. Com o jacto de água, na pressão máxima – visível pela quantidade de folhas e ramos que arrancou – apontou para o centro da árvore. Fez-se silêncio. Perante o olhar curioso e apreensivo, de todos os que assistiram a esta manobra, surge em pleno estado de terror… um pobre gato! E depois de sentir as suas patas em solo firme iniciou uma fuga, em linha recta, com tamanha velocidade que julgo ainda não ter parado de correr.

2016/03/18

POBRE VAGABUNDO

Ao longe era bem perceptível um vulto deitado no jardim. À medida que a distância se encurtava foi possível observar um indivíduo, com aspecto menos cuidado, a ressonar bem alto, no meio do jardim da avenida. A relva húmida era um mero pormenor que, tendo em conta o ruído, não lhe perturbava o sono. Pelo contrário. Nestas situações a educação e caridade querem, de imediato, solicitar assistência médica. O senso-comum – impulsionado pelo aspecto do homem – quer ignorar e deixar o “gajo” para curar a ressaca. Debate interno inútil porque a chamada foi feita. A mota do INEM foi a primeira a chegar ao local. Primeiro com meiguice e depois com duas abanadelas conseguiu captar a atenção do dorminhoco. Uma única frase repetida: «deixem-me dormir!». Também saíram palavrões. Não vale a pena citar.... 

Os minutos passaram. Entretanto chegou a ambulância dos bombeiros. Receberam a indicação da pretensão do homem. Mesmo assim, foram dar umas quantas sacudidelas. A resposta foi a mesma. Regressaram para preencher a respectiva papelada. Nada mais havia a fazer! Levar alguém para o hospital só porque tem vontade em dormir. Quer no jardim? Assim seja! A polícia foi a última a chegar ao local (isto não é piada!). Dois agentes aproximaram-se, das equipas de socorro, e inteiraram-se da situação. Optaram, também, por abanar o pobre vagabundo. Fizeram-no com os pés (a autoridade tem uma maneira própria de agir). O desgraçado, que apenas queria dormir, farto de tanta agitação, levantou-se para mudar de rua e de jardim. Deixaram-no na paz dos anjos, na expectativa de ver o sistema de rega automático em funcionamento.

2016/03/11

HOSPITAL SEM LUZ

Os serviços informativos televisivos procuram que as suas equipas sejam as primeiras a transmitir as notícias de última hora. Contudo, na emoção do directo, nem todas seguem o código deontológico e, por vezes, a verdade altera-se enquanto os Tugas, do outro lado do ecrã, tentam entender o que raio se está a passar. Em Matosinhos, uma falha de electricidade provocou o caos no Hospital Pedro Hispano. Em Outubro de 2014, ficou às escuras, durante alguns minutos, à excepção das Urgências. Tal anomalia deixou em pânico os utentes internados e em situações de emergência, bem como, os familiares. A preocupação imediata foi para a Unidade de Cuidados Intensivos, uma vez que depende de equipamento médico que funciona a electricidade. A transferência de pacientes chegou a ser equacionada...

A equipa de reportagem do “Correio da Manhã” efectuou a cobertura desta notícia nas imediações do local. (não receberam autorização para entrar no recinto). Perante uma total falta de informação e com necessidade de ocupar o tempo de antena a repórter teve de inventar um bocadinho. Coisa pouca. Quem acompanhou o directo foi informado que o Hospital esteve cerca de uma hora sem luz com os geradores a funcionar em pleno. Os doentes foram transferidos (para onde não interessa) mas ninguém viu qualquer ambulância a sair do parque. A equipa de manutenção vai terminar no desemprego apesar de ter sido atribuída a responsabilidade à empresa de fornecimento de energia. Afinal, somos uns privilegiados por ter acesso a este tipo de jornalismo de excelência. Alguém quer mais esclarecimentos?!

2016/03/04

OS DIREITOS DOS AUTOMÓVEIS

Pela calada da noite, certos indivíduos têm vindo a realizar algumas acções de manifesto para os maus-tratos infringidos às viaturas automóveis. Visam a mudança de comportamento desleixado do proprietário. A mensagem é deixada no vidro traseiro. Aproveitam a elevada quantidade de lixo para, em letras garrafais, deixar uma mensagem bastante diplomática: «Lava-me porco!». As forças de autoridade apoiam esta luta. Certamente não andam a deixar mensagens nos vidros! Recorrem ao Regulamento do Código da Estrada! Mais concretamente o decreto-lei 987/54, artigo 23. Foi aprovado em 1954. Altura em que poucos tinham automóvel. Ainda hoje faz questão de se fazer sentir na nossa carteira... 

No Montijo, Jurandi Fernandes foi multado quando circulava na Rotunda do Apeadeiro (EN252). No documento oficial está patente que o veículo em que circulava apresentava o banco do condutor com o estofo roto! E quase esquecia de informar o montante da multa: 7,48 euros. Caros leitores, verifiquem o estado de conservação da vossa viatura. Pelo menos uma lavagem, de vez em quando. Lembrem-se que os maus-tratos automóveis são punidos por lei. E nestas coisas, o código é para se cumprir.