Os números das audiências têm vindo a demostrar que há um crescente abandono dos telespectadores em relação às emissões regulares dos canais televisivos. A televisão por cabo é a nova tendência. Sem esquecer as redes sociais (onde os Tugas desperdiçam parte das suas vidas). Seguramente reconheço utilidade em certas publicações, no entanto, em certa altura algo parece ter corrido mal. Os sentimentos negativos tomaram posse dos teclados e qualquer publicação – para além de lida às avessas – é entendida como um ataque pessoal ou vista com desdém. É necessária precaução com aquilo que se quer dar a conhecer. Até porque, este software (do Diabo) acaba de arranjar uma nova polémica…
Uns meliantes amadores resolveram assaltar uma Caixa Multibanco na União de Freguesias de Vilar e Mosteiró (Vila Conde). Sem qualquer experiência na arte do gamanço conseguiram rebentar com o equipamento. A população, que ficou sem possibilidades de levantar dinheiro, foi a única prejudicada neste acto criminal sem precedentes. As entidades competentes resolveram o assunto colocando novo aparelho. A polémica prende-se com o dia da inauguração. Não, não é engano! Houve um dia para a inauguração oficial da nova Caixa Multibanco! A cerimónia solene contou com a presença dos autarcas da Freguesia, Elisa Ferraz (Presidente da Câmara de Vila Conde) e Bruno Miguel Ávila (Padre) que benzeu a nova maquineta depois do discurso da autarca.
Sendo o dinheiro o mal de todos os pecados, este episódio peculiar, contribui para uma discussão intensa sobre os pecados mortais. Neste pequeno gesto – de propaganda eleitoral – encontramos a luxúria, orgulho (vaidade), a ira e até a inveja… demonstrada, sem qualquer réstia de dúvida, nos comentários da população de Arcos. Até porque, tiveram a colocação de uma caixa recentemente e nenhum dos membros do executivo ou da Igreja passou por lá! Afinal, nestas coisas do dinheiro, confirma-se que há uns mais beneficiados que outros…
2019/01/29
O MAL DE TODOS OS PECADOS
2019/01/25
O AZAR ESCONDE-SE À ESPREITA
A bola de ginástica. Existe em qualquer ginásio, mas também é o equipamento perfeito para descobrir as propriedades dos polímeros elásticos e dar trambolhões enormes. Sendo considerada actividade física – e, como tal, cansa muito – prefiro centrar as minhas atenções não para o ginásio, mas para um jantar organizado por um grupo de amigos. Sentado à mesa sei o que devo fazer! (Isto é, se não tiver à frente um faqueiro completo como se vê nas revistas que mostram a vida dos vip’s). Tudo foi organizado ao pormenor e, apesar de não ser um jantar de gala, impunha-se alguma beleza e uma higiene pessoal mais cuidada. Com algum esforço consegui cumprir os requisitos mínimos (saltei a parte do espelho meu) e aguardei a boleia. À hora marcada, por incrível que pareça, eu e alguns amigos estávamos, todos janotas, a caminho do restaurante.
O azar esconde-se à espreita e conspira para tramar a vida dos Tugas! E assim foi… Durante a viagem um dos companheiros sentiu uma terrível dor de barriga. Estando no meio de nenhum foi impossível pensar em encontrar uma casa de banho e, uma vez que o chamamento era fortíssimo, não restou outra alternativa senão procurar um pequeno canto num terreno sombrio à face da estrada apenas iluminado pela luz da Lua. Ainda teve a sorte de haver alguém com lenços de papel… Depois de terminado – e com ar rejuvenescido – juntou-se ao grupo. Apenas teve tempo de reparar que tinha agarrado ao sapato o que deveria ter ficado na vegetação! Em pânico – e já sem lenços de papel – lembrou-se daquele ditado que diz: quando se alivia um Português, seguem logo dois ou três! E, por aquilo que vi, ele deve ter sido o terceiro…
O azar esconde-se à espreita e conspira para tramar a vida dos Tugas! E assim foi… Durante a viagem um dos companheiros sentiu uma terrível dor de barriga. Estando no meio de nenhum foi impossível pensar em encontrar uma casa de banho e, uma vez que o chamamento era fortíssimo, não restou outra alternativa senão procurar um pequeno canto num terreno sombrio à face da estrada apenas iluminado pela luz da Lua. Ainda teve a sorte de haver alguém com lenços de papel… Depois de terminado – e com ar rejuvenescido – juntou-se ao grupo. Apenas teve tempo de reparar que tinha agarrado ao sapato o que deveria ter ficado na vegetação! Em pânico – e já sem lenços de papel – lembrou-se daquele ditado que diz: quando se alivia um Português, seguem logo dois ou três! E, por aquilo que vi, ele deve ter sido o terceiro…
2019/01/18
A FOBIA NA LOJA DO SHOPPING
Deambular nos vastos corredores de uma loja de vestuário de um shopping pode ser poesia em movimento. Mas, infelizmente passear nem sempre corre conforme o planeado. E, às vezes, pode ser muito complicado... Confesso que ainda hoje (quando recordo esta aventura) tenho arrepios! Para os que estão próximos, ou fazem expedições aos shopping’s mais conceituados, a visita à loja da Primark é obrigatória. Quase como os Muçulmanos e a visita a Meca. Tem de acontecer, pelo menos uma vez na vida! As dificuldades começaram logo à entrada! Com tanta gente a sair da loja senti que, por cada passo que dava em frente, recuava três! Fartei-me de cruzar com o segurança na entrada e acho que até ele começou a duvidar das minhas intenções. Lá consegui atravessar aquele mar de gente para, dentro da loja, encontrar mais pessoas por metro quadrado que na Índia! Desejei ter um pão ou bolachas para deixar um rasto de migalhas. Mesmo assim, orientado pela minha esposa, segui viagem continuando a minha investida rumo ao interior da loja. De facto, compreende-se a elevada afluência de clientes e malta que, por arrasto, os acompanha. Os preços estão em sintonia com a quantidade de dinheiro das carteiras Tugas!
Enquanto procurava na secção de jeans para homem – e de ter chegado à conclusão que é necessário um curso académico para comprar um par de calças – olhei em redor e, num ápice, reparei que estava sozinho! A minha mente deixou de se preocupar com as palavras slim, chino, fit e outras parecidas, para se focar na terrível angústia de ficar preso por ali! Alheios ao meu sentimento de pânico, os restantes transeuntes continuavam a circular a alta velocidade, fazendo mesmo lembrar as imagens de Nova Deli, nos documentários! Será que alguém daria pela minha falta?! Ou teria de esperar pelo encerramento da loja para conseguir encontrar o caminho de regresso?! Num escasso e raro momento de lucidez – e abençoando as novas tecnologias – retirei o telemóvel do bolso para, num gesto de desespero – como se a minha vida dependesse disso – telefonar à minha esposa. Assustado, consegui articular (com alguma dificuldade) uma espécie de pedido de ajuda. Tenho de agradecer o rápido auxílio. Afinal, a minha heroína chegou depressa do corredor ao lado…
Enquanto procurava na secção de jeans para homem – e de ter chegado à conclusão que é necessário um curso académico para comprar um par de calças – olhei em redor e, num ápice, reparei que estava sozinho! A minha mente deixou de se preocupar com as palavras slim, chino, fit e outras parecidas, para se focar na terrível angústia de ficar preso por ali! Alheios ao meu sentimento de pânico, os restantes transeuntes continuavam a circular a alta velocidade, fazendo mesmo lembrar as imagens de Nova Deli, nos documentários! Será que alguém daria pela minha falta?! Ou teria de esperar pelo encerramento da loja para conseguir encontrar o caminho de regresso?! Num escasso e raro momento de lucidez – e abençoando as novas tecnologias – retirei o telemóvel do bolso para, num gesto de desespero – como se a minha vida dependesse disso – telefonar à minha esposa. Assustado, consegui articular (com alguma dificuldade) uma espécie de pedido de ajuda. Tenho de agradecer o rápido auxílio. Afinal, a minha heroína chegou depressa do corredor ao lado…
MADE IN CHINA
Há notícias que captam a nossa atenção e nos impelem a querer saber mais pormenores. Esta é uma delas! Especialmente dedicada a todos os Tugas do Norte (que estejam a ler esta crónica). Estando abrangido pela área geográfica, é claro que estou preocupado! Caros leitores, devem sair à rua com a cabeça bem levantada e os olhos postos no céu (esqueçam lá as moedas perdidas nos passeios). Muito cuidado com a Tiangong-1! Um pedaço de sucata, do tamanho de um autocarro, que vai despenhar-se no planeta Terra mas ainda não se sabe exactamente onde. Os peritos revelaram que Portugal está na rota de colisão dos destroços desta estação espacial chinesa e pode ser o feliz contemplado. Desde 1957 que a humanidade tem preenchido o espaço com lixo enviado do nosso planeta e, segundo a lei do retorno (ou karma) o entulho, mais cedo ou mais tarde, encontraria o caminho de volta. Como acontece aos inteligentes que cospem para o ar e ficam à espera…
A estação espacial foi lançada a 29 de Setembro de 2011 tentando impulsionar a China para os níveis de uma superpotência espacial. A Tiangong-1 (que significa “Palácio Celeste”) foi a primeira estação espacial chinesa a ser lançada no espaço. No entanto, no ano passado as autoridades chinesas alertaram que tinham perdido o controlo sobre o satélite. O que vem levantar a questão sobre a verdadeira qualidade do material “Made in China”. Por ser impossível controlar as comunicações o calhau metálico está, desde então, entregue às forças atmosféricas. Sei que os signos são diferentes na China mas pelo nosso calendário a Tiangong-1 é Balança: tinha tudo para correr mal. E mais não digo… A probabilidade de causar estragos é bastante diminuta, mas existe! Há registos fotográficos da passagem sobre a Alemanha e Espanha. Ou seja, parece ter vontade de conhecer a Europa antes de se despenhar. Toda a cautela é necessária! Até porque a China fez questão de recordar que a Tiangong-2 está lá, pelo espaço, desde 2016. Tal como acontece com as bugigangas electrónicas, os chineses ficam com os créditos da invenção enquanto nós, os europeus, temos de resolver os seus problemas quando “as coisas” não correm como planeado. E sem passar na alfândega!
A estação espacial foi lançada a 29 de Setembro de 2011 tentando impulsionar a China para os níveis de uma superpotência espacial. A Tiangong-1 (que significa “Palácio Celeste”) foi a primeira estação espacial chinesa a ser lançada no espaço. No entanto, no ano passado as autoridades chinesas alertaram que tinham perdido o controlo sobre o satélite. O que vem levantar a questão sobre a verdadeira qualidade do material “Made in China”. Por ser impossível controlar as comunicações o calhau metálico está, desde então, entregue às forças atmosféricas. Sei que os signos são diferentes na China mas pelo nosso calendário a Tiangong-1 é Balança: tinha tudo para correr mal. E mais não digo… A probabilidade de causar estragos é bastante diminuta, mas existe! Há registos fotográficos da passagem sobre a Alemanha e Espanha. Ou seja, parece ter vontade de conhecer a Europa antes de se despenhar. Toda a cautela é necessária! Até porque a China fez questão de recordar que a Tiangong-2 está lá, pelo espaço, desde 2016. Tal como acontece com as bugigangas electrónicas, os chineses ficam com os créditos da invenção enquanto nós, os europeus, temos de resolver os seus problemas quando “as coisas” não correm como planeado. E sem passar na alfândega!
2019/01/10
NÃO MORRER DA DOENÇA...
Apesar de ser o feliz proprietário de um apartamento – que será legitimamente meu quando eu já estiver quase senil, agarrado a uma bengala e com lapsos de memória – tento usufruir ao máximo dos dias que vou riscando no calendário. Mesmo com limitações de espaço, confesso ser um admirador da vida animal e, como tal, partilho a intimidade do meu lar com um peixinho encarnado. É sossegado, não suja a casa ou necessita que o leve à rua para deixar a sua marca… nos sapatos dos mais distraídos! Contudo, é um ser vivo e exige cuidados… A vaga de frio que tem atacado várias regiões do país e respectivas habitações (tem dias que sinto que estou trancado numa qualquer arca congeladora dum talho) obriga a cuidados redobrados com o aquecimento. A minha cozinha parece localizada em pleno Alasca! Chego a pensar na questão de alterar o registo da minha casa: uma parte em Matosinhos, a outra no Alasca. Pelo menos pouparia na questão do Imposto (IMI). E nem preciso de verificar qual a taxa aplicada lá! O pobre peixe também sofreu com o frio. O termómetro da água indicava 17ºC! Quase dez graus abaixo da temperatura ideal. Ou seja, o meu peixe corria risco de hipotermia! Ou congelado vivo! Seja como for, algo tinha de ser feito para evitar aquele cenário de terror no aquário de 5 lts. Imbuído no espírito de socorro, iniciei a minha jornada para salvar a vida do pobre guerreiro de água estagnada.
Descobri, nas lojas de especialidade, que a tendência actual é ter aquários de tamanho XXL. Ou seja, um parolo como eu – que tem um quadrado pequeno que o peixe quase nada com o rabo de fora – sente-se imediatamente envergonhado e sem encontrar aquilo que procura: uma resistência térmica para aquecer a água. A solução mais óbvia foi, certamente, recorrer à sapiência e qualidade das lojas chinesas. Comprei um aparelho destinado a aquários de 100 litros. Vinte vezes superior ao que necessitava. No entanto, senti que algo tinha de ser feito pelo peixe. Morrer enregelado não é digno! Se bem que assado, não parece melhor... Dois minutos depois de ligada e colocada na água, a resistência resolveu estourar! Dezenas de pedaços de vidro explodiram em redor do peixe que, alheio ao que se passava, continuava a passear. «Pronto! Foi desta que matei o peixe!» Foram as primeiras palavras que proferi! Também soltei uns palavrões mas, para manter a decência, prefiro não especificar… Asseguro que o peixe não morreu. Escusam alertar as autoridades competentes ou os serviços sociais. Apesar de toda a minha disponibilidade e boa vontade – e tremenda dose de aselhice – cheguei à conclusão que a solução foi mudá-lo de lugar. Geralmente a solução mais simples é a mais acertada. Vá se lá saber porquê, raramente se coloca em prática. Arrisco-me, sem dúvida, a dizer que o pobre não morreu da doença… mas, caramba, quase virava defunto com a cura!
Descobri, nas lojas de especialidade, que a tendência actual é ter aquários de tamanho XXL. Ou seja, um parolo como eu – que tem um quadrado pequeno que o peixe quase nada com o rabo de fora – sente-se imediatamente envergonhado e sem encontrar aquilo que procura: uma resistência térmica para aquecer a água. A solução mais óbvia foi, certamente, recorrer à sapiência e qualidade das lojas chinesas. Comprei um aparelho destinado a aquários de 100 litros. Vinte vezes superior ao que necessitava. No entanto, senti que algo tinha de ser feito pelo peixe. Morrer enregelado não é digno! Se bem que assado, não parece melhor... Dois minutos depois de ligada e colocada na água, a resistência resolveu estourar! Dezenas de pedaços de vidro explodiram em redor do peixe que, alheio ao que se passava, continuava a passear. «Pronto! Foi desta que matei o peixe!» Foram as primeiras palavras que proferi! Também soltei uns palavrões mas, para manter a decência, prefiro não especificar… Asseguro que o peixe não morreu. Escusam alertar as autoridades competentes ou os serviços sociais. Apesar de toda a minha disponibilidade e boa vontade – e tremenda dose de aselhice – cheguei à conclusão que a solução foi mudá-lo de lugar. Geralmente a solução mais simples é a mais acertada. Vá se lá saber porquê, raramente se coloca em prática. Arrisco-me, sem dúvida, a dizer que o pobre não morreu da doença… mas, caramba, quase virava defunto com a cura!
2019/01/07
A VIDA EM MOVIMENTO
Metro do Porto. Um excelente meio de deslocação entre várias cidades com demasiadas pessoas e ainda mais viaturas. É o transporte público perfeito para estudar a relação entre movimento circular, a falta de discernimento e força humana, com uns galos e arranhões pelo caminho… Nos últimos tempos, o tipo de utilizadores deste transporte público tem vindo a mudar. Arrisco escrever que reflecte o estado (moribundo) da sociedade, com falta de valores, educação e, porque não, higiene! Sabemos que há composições que, em pleno dia, parecem uma lixeira a céu aberto! Garrafas, embalagens diversas, pacotes de bolachas, pastilhas elásticas, cigarros, jornais, etc. E, neste ponto, tenho de aplaudir o esforço dos mais habilidosos que procuram as junções dos bancos para colocar o próprio entulho. Seria bem mais prático (e razoável) utilizar o caixote do lixo nas estações. Sabem, é para isso que eles estão lá!
A empresa tem vindo a apostar na educação cívica dos utilizadores. Por incrível que pareça, ao fim de mais de uma década, ainda é necessário explicar às pessoas que querem entrar que devem aguardar pelas que pretendem sair. Foi adoptado um sistema de zebrado para libertar os espaços de circulação. O resultado, nas estações mais movimentadas, chega a ser caótico! Os mais renitentes – que entendem tudo ao contrário – ocupam o zebrado e provocam a confusão aquando da chegada do veículo. Fosse filmado a preto e branco e tínhamos um pequeno filme ao estilo Charlie Chaplin! Ficam estarrecidos com o som do fecho das portas! E se uns compreendem que há um tempo limite de espera nas estações (e aguardam poucos minutos pelo próximo), outros resolvem utilizar a prepotência e massa bruta para, num gesto animalesco, bloquear a porta. Não me recordo de outro tipo de transporte público que autorize esta proeza… Por vezes, o equipamento vence e lá fica uma mão trilhada. Quando isto acontece, aparece sempre uma reclamação. É a ironia desta vida: um prevaricador arranjar motivo para reclamar! Abençoado seja!
A compra de títulos de viagem é ritual que também, ao longo dos últimos anos, deixou de se praticar. Os renegados da sociedade (ou mitras) viajam constantemente sem título de transporte e, pasmem-se, ainda conseguem desdenhar das condições de viagem! Estão familiarizados com a rotina dos vigilantes e sabem que a justiça da Terra dos Tugas dá-lhes o estatuto de intocáveis! Arrisco dizer que, para eles, o crime compensa! Bem, esta viagem terminou. O tempo urge! Outra começa. São vários quilómetros percorridos nesta rotina diária… Termino a crónica, citando Stephen King: “O Inferno é uma repetição! Fazemos a mesma coisa vezes sem conta”. Sendo assim, lá vou eu para mais uma viagem…
A empresa tem vindo a apostar na educação cívica dos utilizadores. Por incrível que pareça, ao fim de mais de uma década, ainda é necessário explicar às pessoas que querem entrar que devem aguardar pelas que pretendem sair. Foi adoptado um sistema de zebrado para libertar os espaços de circulação. O resultado, nas estações mais movimentadas, chega a ser caótico! Os mais renitentes – que entendem tudo ao contrário – ocupam o zebrado e provocam a confusão aquando da chegada do veículo. Fosse filmado a preto e branco e tínhamos um pequeno filme ao estilo Charlie Chaplin! Ficam estarrecidos com o som do fecho das portas! E se uns compreendem que há um tempo limite de espera nas estações (e aguardam poucos minutos pelo próximo), outros resolvem utilizar a prepotência e massa bruta para, num gesto animalesco, bloquear a porta. Não me recordo de outro tipo de transporte público que autorize esta proeza… Por vezes, o equipamento vence e lá fica uma mão trilhada. Quando isto acontece, aparece sempre uma reclamação. É a ironia desta vida: um prevaricador arranjar motivo para reclamar! Abençoado seja!
A compra de títulos de viagem é ritual que também, ao longo dos últimos anos, deixou de se praticar. Os renegados da sociedade (ou mitras) viajam constantemente sem título de transporte e, pasmem-se, ainda conseguem desdenhar das condições de viagem! Estão familiarizados com a rotina dos vigilantes e sabem que a justiça da Terra dos Tugas dá-lhes o estatuto de intocáveis! Arrisco dizer que, para eles, o crime compensa! Bem, esta viagem terminou. O tempo urge! Outra começa. São vários quilómetros percorridos nesta rotina diária… Termino a crónica, citando Stephen King: “O Inferno é uma repetição! Fazemos a mesma coisa vezes sem conta”. Sendo assim, lá vou eu para mais uma viagem…
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