Finalmente – para aqueles que não morreram – ficou tudo bem. O novo dia da (tão desejada) liberdade chegou e, desta vez, nem foi preciso recorrer às forças armadas, invadir o Rádio Clube Português ou colocar cravos em armas. O governo aprovou as medidas para a última fase do desconfinamento e, como tal, nem o estado de emergência foi prolongado. A nossa vida volta ao ritmo frenético de outrora. Apenas a ausência de público nos estádios de futebol é motivo de desânimo entre os adeptos mais fervorosos. Mesmo assim – de acordo com as últimas notícias – houve registo de confrontos entre membros de claques. Nada de novo. Muitos substituíram a ida ao futebol pela visita ao centro comercial! Até porque, em alguns casos, estão mesmo ao lado do estádio. Milhares de pessoas concentradas num único espaço em busca das pechinchas de última hora. Outros com artigos para devolver desde o Natal e alguns só a deambular pelos corredores numa clara atitude de mete-nojo! Importante é fazer parte deste mundo consumista e, escusado será dizer que, também fui arrastado para aquele antro de perdição…
Tenho de mencionar a loja de vestuário mais procurada: a Primark (apesar de não receber nenhum cêntimo pela publicidade) que, inclusive, tem uma escada rolante privativa! Para além de permitir o acesso directo do piso de estacionamento serve para esconder a fila de acesso à loja. O potencial comprador, mesmo que não tenha carro estacionado naquele piso, desce e aguarda pela indicação para subir, percorrer o labirinto e chegar mais perto da entrada. Caramba, tendo em conta a quantidade de pessoas que se sujeita a tamanha gincana, os artigos devem ser de qualidade superior! Como não quis chegar à idade da reforma, retido naquela fila, optei por visitar outra loja de roupa. Um espaço amplo, bem iluminado e bastante sossegado. Até porque o único funcionário (para além do caixa) estava mais interessado em arranjar as cruzetas nos expositores que em ajudar os clientes tresmalhados. Confesso ter dificuldade em perceber esta teoria do trabalho. O culminar da visita teve lugar na praça de alimentação na banca da (sempre saudável) comida de plástico! Foi assim o regresso conturbado à meca do comércio. Com confusão, aroma a brisa do sovaco, pouco profissionalismo e colesterol elevado. Ah! Que saudades.

Sem comentários:
Enviar um comentário