2016/01/29

A LENDA DO ABUTRE DA MAIA

Durante vários anos – fruto da vontade política dos sucessivos governos – a linha de metro termina na cidade da Maia, junto ao Ismai. Outrora, o comboio serviu as pessoas que se deslocavam até à Trofa. Os locais nunca se conformaram com esta decisão e reclamam, constantemente, pela chegada deste transporte público. Um anúncio governamental, com o intuito de prolongar a linha, reacendeu os ânimos e expectativas. Os mais saudosistas quiseram visitar o antigo traçado da linha de comboio. Actualmente coberto com vegetação bastante densa e algumas árvores. Contudo, o acesso está vedado e monitorizado pelas forças de vigilância privada. Mas, mesmo assim... 

Para afastar os curiosos – que não aceitam o não como resposta – um cidadão local (enquanto aguardava a chegada do metro) explicou a um grupo de pessoas que tamanha segurança estava relacionada com o abutre do Ismai! Uma ave enorme que surge por entre a vegetação para reclamar o sossego da floresta e que detesta forasteiros. Inclusive, condutores do metro quando param as composições no final do serviço. Alguns recusam-se! A linha termina na pequena floresta, porque ninguém ousa enfrentar a fera! Incrédulos, não quiseram arriscar. Dias depois, um jovem foi interceptado pelo vigilante. Estava vestido com um fato de plástico, máscara e chapéu. Tinha um pau na mão. Bastante alterado, gritava que tinha de chegar à floresta para matar o abutre, destruir a lenda para que o metro chegue à Trofa! Tinha de ser! À paulada! Agarrem-me que eu vou-me a ele! Ah, maldito abutre! Um produto da imaginação aventureira humana que se espalhou e que serviu para motivar. Porque é fundamental ter algo em que se acredita. Mesmo que seja uma brincadeira. Ou não.

2016/01/22

UNIFORMES AO BARULHO

Depois de escrever sobre tantos relatos peculiares, deste cantinho à beira-mar, tenho de admitir que ainda surgem algumas situações que me fazem duvidar da capacidade de discernimento Tuga. Uma ambulância do INEM (Instituto Nacional Emergência Médica) foi accionada para transferir uma doente, com enfarte agudo do miocárdio, do Hospital Caldas Rainha para o Hospital Santa Maria, em Lisboa. Durante a viagem, na auto-estrada A8 (Leiria a Lisboa) a senhora, de 80 anos, acabou por falecer, tendo o óbito sido declarado pela equipa médica. Segundo a legislação, a ambulância está proibida de transportar cadáveres. A tripulação aguardou a chegada das autoridades para que fosse efectuada a remoção do corpo...

Quando a Brigada de Trânsito chegou – e para espanto de toda a equipa dos Bombeiros Voluntários de Óbidos – multou o condutor por infringir o Código da Estrada e pôr em risco a circulação. Segundo o comandante dos Bombeiros, Carlos Silva, a viatura estava parada na berma. Devidamente sinalizada. Algo que a polícia resolveu ignorar, como prova a multa de 120,00 euros aplicada à corporação e ao condutor. Entretanto, num comunicado oficial sobre a situação, a G.N.R. esclarece que o expediente vai ser arquivado, por se ter verificado não existir infracção. A multa será arquivada. Mais um episódio caricato, que acontece num país pequeno, com muitas regras e demasiados egos.

2016/01/15

A BALADA DO PARQUE INFANTIL

Torna-se cada vez mais difícil explicar às crianças qual a razão de não poderem aceder ao parque infantil do Jardim Basílio Teles, em Matosinhos. Primeiro foi a destruição completa dos equipamentos, fruto do vandalismo e falta de civismo. Algo que está espalhado por toda a cidade e, que, nos habituamos a aceitar. A troca de equipamentos demorou a acontecer. Durante vários meses, as crianças limitaram-se a observar um espaço amplo, propício ao passeio dos rafeiros para que lá pudessem "arrear o calhau". Porreiro! Finalmente começaram as obras. Novos equipamentos. As crianças iniciaram a contagem decrescente para um novo mundo de brincadeira. E ainda hoje continuam a contar. Confusos, caros leitores?! Já se perdeu a conta aos meses em que os equipamentos permanecem envoltos em sacos plásticos. Falta o chão. Será este o motivo?! Alguém importante para a inauguração pomposa?! Não faço ideia...

Há poucos dias estava um indivíduo, de colete, a vigiar o recinto. Enxotava os petizes que arrancaram alguns plásticos para começar a brincar! Caramba, está tudo montado e não deixam brincar?! Querem que o lobo não ataque as galinhas com o galinheiro aberto?! Tenham lá juízo! Alguém importante não quer brincadeira. Os equipamentos receberam barreiras de protecção metálicas. Parecem peças de museu. As crianças não brincam. Mas, num acto maquiavélico brinca-se com as crianças. Porquê?! Sinceramente não sei. Mas o silêncio faz desesperar! Tanta tecnologia, newsletters, jornais locais e, da Câmara Municipal, nem uma única palavra. Ou, se por acaso, existiu algum comunicado, foi tão "baixinho" que aqui não chegou. O que chegou foi a conta do IMI. O que ainda mais me revolta.