2016/02/26

PREPARADOS PARA A DESGRAÇA

Quero pensar que este trabalho vai ter, talvez, algum valor histórico. Um registo fidedigno das nossas atitudes e comportamentos perante as adversidades. Tal como Luís de Camões, quando à boleia de uma caravela, se furtou aos trabalhos náuticos em nome do livro que estava a escrever! Em finais de 2014, os Tugas ficaram a conhecer o vírus Ébola. De facto, algo bastante preocupante pelo seu grau de contágio e mortalidade. É algo sério e, certamente, não vou ironizar com esta tragédia. Quero deixar bem claro que os esforços desenvolvidos, por estas bandas, para enfrentar esta situação epidemiológica, deixaram-me extremamente orgulhoso! (Agora sim, estou a ironizar!). Surgiu em Espanha o primeiro caso europeu confirmado. Aumentou o nosso nível de insegurança...

A pergunta repetia-se, de boca em boca, estarão os hospitais preparados para lidar com o vírus?! E as instituições?! A resposta veio pelo director-geral da Saúde, Francisco George, que aos canais de televisão mostrou, para nossa tranquilidade, o “uniforme oficial” das equipas médicas preparadas para enfrentar o vírus. Ao contrário dos fatos de protecção vistos noutros países, foi mostrada uma panóplia de retalhos. Um hospital cedeu a enfermeira para servir de modelo fotográfico. Um pintor de automóveis emprestou o fato de protecção com máscara facial incluída. Um agente da polícia de intervenção emprestou a viseira. Estamos prontos para a desgraça! Perante a Comissão de Saúde, na Assembleia da República, criticou todos os que afirmaram que o país não estava preparado, sendo o controlo da contaminação o maior desafio. Realmente, com tudo isto, não há motivos de preocupação.

2016/02/19

SINAIS DE MUDANÇA

A ditadura que assombrou Portugal, durante décadas, começou o seu declínio em Agosto de 1968. O Presidente do Conselho foi derrubado por uma simples e barata cadeira de lona enquanto gozava férias. A queda provocou um hematoma cerebral que limitou a sua capacidade de raciocínio. O fim da ditadura graças a artigos de pouca qualidade. Em 2014, na Guarda, o Presidente da República sentiu-se mal enquanto discursava nas cerimónias do Dia de Portugal, marcado pelos protestos. Foi levado em braços, deitado no chão e recebeu assistência de bombeiros, médicos do INEM e sua equipa médica pessoal. O Major-General-Médico declarou que foi uma “reacção vagal” (princípio de desmaio) da qual recuperou rapidamente, nunca tendo perdido a consciência e sempre com intenção de concluir o discurso... 

Durante a assistência médica, os manifestantes continuaram a gritar as palavras de ordem: «Governo para a rua!». Posteriormente, a cerimónia foi retomada com um pedido a todos que a perturbavam: respeito por Portugal e pelas Forças Armadas. Ouviram-se aplausos mas, mesmo assim, os manifestantes não se calaram. Para restabelecer a ordem pública, elementos da PSP, aproximaram-se dos desordeiros. Acompanhados por lindos cãezinhos com uma vontade expressa de causar estragos com os seus dentinhos. Fica um pensamento: tal como aconteceu há 46 anos, será este novo abalo presidencial um sinal de mudança de rumo e novo governo?!

2016/02/12

UM GRANDE CALOTEIRO

Não faço ideia quem inventou os impostos mas gostava de lhe dar umas palavrinhas! Por terras Tugas, desde que a crise chegou, tudo serve para nos esvaziar a carteira! Em nome da dívida contraída. (Apesar de não me lembrar onde gastei tantos milhões). Em Paços de Ferreira, Augusto Gonçalves sente um misto de espanto e revolta. Ciente das suas obrigações fiscais – e matrimoniais – deslocou-se às Finanças de Lousada para efectuar o pagamento do IUC (imposto único de circulação). O funcionário, depois de consultar o sistema informático, informou da existência de uma penhora efectuada ao vencimento da esposa, referente a uma dívida de juros no montante de cinco cêntimos! Não, não é engano...

E foi ainda informado que, caso pretenda, pode equacionar propor o pagamento em prestações. A infalível máquina fiscal actuou sem misericórdia! Porque se exige justiça para com os contribuintes. É fundamental aplicar sanções fortes para os incumpridores e prevaricadores! É por causa destes caloteiros que o país está em crise! Que descaramento! Cinco cêntimos! Permitam-me que apresente as minhas desculpas. Caramba, às vezes nem eu próprio consigo explicar os disparates que escrevo.

2016/02/05

NINGUÉM VAI ACREDITAR NISTO...

O drama dos fogos florestais e falta de meios, das autoridades competentes, não é qualquer novidade ou motivo para graçolas. Mas há alturas em que as forças no terreno duvidam da sua sanidade mental. Em Caminha, bombeiros, sapadores, agentes da GNR (Guarda Nacional Republicana) e outros operacionais desenvolveram esforços numa serra árida consumida pelas chamas e submersa num manto de fumo denso. Enquanto alguns habitantes abandonavam as suas casas para fugir do fogo, um repórter televisivo – numa reportagem em directo – foi surpreendido pelo pivô (também ele incrédulo) perante uma imagem curiosa no meio das chamas: um astronauta... 

José Rodrigues, bigode branco até ao queixo e tocador de concertina nas romarias, estava longe de imaginar que o seu “amigo”, vindo de França, se transformaria no foco de atenção daquele dia. Não há registo do nosso envolvimento na conquista do espaço. Pelo menos, directamente, pois há Tugas a trabalhar para a Nasa. (Curiosamente, na presença de outros povos e noutro país, conseguimos fazer boa figura). Enquanto as labaredas gigantes lhe cercavam o lar, estava risonho e confiante de estar a salvo, contrastando com o pânico da esposa Arminda. O maior incêndio da última década, na serra onde escolheu viver após anos de emigração, acabou por não atingir a sua habitação. O seu astronauta foi uma “estrela” nas redes sociais. José ri-se de tudo isto.