2020/02/07

LIVRE, MAS POUCO...

Escrever crónicas inspiradas nas características peculiares que definem a nossa imagem é mais que um simples acto de escárnio e maldizer. Tal como aconteceu com o livro “As Farpas”, tenho o sonho que o meu talento – de martelar teclas num computador – seja um dia reconhecido como sendo uma admirável caricatura da nossa sociedade actual, tendo um alto propósito consciencializador. Ou então, num sentido mais prático, que os livros que escrevi sirvam para alimentar uma boa fogueira! Mantendo o espírito de crítico social (sem comparação com o “Polícia da Moda”) tenho de referir, para a cronologia deste trabalho, Joacine Katar Moreira. Recuando até às eleições legislativas de 2019, os corajosos que resolveram aparecer nas urnas ficaram a descobrir que alguns acabavam de eleger a primeira mulher negra a encabeçar uma lista partidária. E que havia um partido chamado “Livre”. Rapidamente as forças do lado obscuro começaram a trabalhar numa campanha de desinformação com acusações estúpidas e maquiavélicas para impedir a sua tomada de posse como deputada. Um pouco à semelhança dos Ingleses: primeiro votam a favor do Brexit e depois tentam arranjar maneira de anular a asneira cometida! Em desespero de causa, as vozes negativas alegaram que a perturbação da fala seria mentira e apenas para efeitos de mediatismo…

A memória do nosso povo é curta. Rapidamente se esqueceu a existência deste grupo ideológico e quando a opinião pública o julgava defunto, somos informados que, tal como nos partidos grandes, esta malta também realiza congressos e tem uma espécie de estrutura hierárquica! A mesma que (meses depois da celebração da vitória eleitoral) quis retirar a deputada do Parlamento. Poucos conheceram os verdadeiros motivos do divórcio litigioso entre as partes. Os serviços noticiosos transmitiram algumas novidades do congresso (reunião familiar) do partido, que contou com a presença de duas ou três caras mediáticas e demasiado barulho para uma trupe tão pequena! Polémicas, acusações, falta de respeito e muitos gritos. É esta a imagem que ficará gravada nas pessoas que prestaram atenção aos noticiários. Tenho que referir que a deputada em questão, quando resolveu intervir (completamente dominada pelos nervos), foi bastante eloquente e garantiu com tremenda convicção a sua defesa, sem nunca gaguejar! Fosse assim no debate do orçamento e quem gaguejaria seria o primeiro-ministro António Costa! Da discussão não surgiu qualquer luz. Mudaram alguns nomes na direcção do Partido e ela continuará a desempenhar o mandato parlamentar como independente. Envio um abraço de solidariedade para quem, na Assembleia, tem a responsabilidade de transmitir as suas intervenções por linguagem gestual. Sem dúvida, quem mais sofre com tudo isto.

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