2016/06/24

EM TEMPO DE DESCONTOS

A figura do polícia tornou-se presença indispensável em qualquer programa humorístico. Até nos cafés as conversas ou anedotas envolvem as forças da ordem. Uma atitude desafiadora da sua autoridade! Todos os seus gestos são observados ao pormenor. Certamente, quando os (poucos) leitores terminarem a leitura, desta crónica, vão julgar conhecer este agente. O estacionamento selvagem, numa das principais artérias da cidade, era uma dor de cabeça constante para o polícia destacado para o local. Os condutores – alheios à sua presença – aproveitavam qualquer distracção para prevaricar. E, se fossem apanhados, lá começava o “choradinho”. Curioso, como os Tugas, nesta situação, passam de heróis destemidos a pedintes gagos...

O agente, envolvido numa luta desigual, prosseguia o seu calvário durante as horas do turno. Demorava mais tempo a ouvir as desculpas esfarrapadas dos condutores do que a preencher a multa. E para quê?! Ninguém paga! Para conseguir sair a horas, mudou a estratégia. Na última hora do serviço não passava multas. Aproximava-se da viatura em infracção e, por lá, permanecia. Olhava em redor. Abria o caderno e segurava na caneta. Tudo isto com a máxima lentidão possível. Para que o proprietário da viatura pudesse chegar (a arfar) junto dele. Uma palavra mais severa e, por vezes, uma ameaça de reboque mas, no final, com ar magnânimo, deixava-o partir sem qualquer penalização. Desta forma impunha a sua autoridade sem necessidade de prolongar o turno e perder a sua boleia. Porque se o código é para cumprir, os horários de trabalho também são. 

2016/06/17

A "CHICO-ESPERTICE"

Os operadores de telecomunicações criaram conjuntos de ofertas consoante o grau de necessidade do utilizador. Sempre com uma filosofia de promover o bem-estar do cliente (nunca o lucro fácil dos administradores) incluíram serviços, sem qualquer utilidade, que obrigam à sua contratação. Surgem alternativas e soluções fáceis… Com o tempo, perdi acesso aos desportos motorizados e jogos de futebol. Passaram a estar incluídos nos serviços com custo elevado. Certo dia, a publicidade da “Sporting Tv” anunciou a transmissão, em directo, do Sporting vs Roma, a contar para o troféu “Cinco Violinos”, de pré-época futebolística. À hora marcada, devidamente apetrechado, estava pronto para ver o jogo! Ah! Que saudades da redondinha!

Hoje, ao recordar esse dia, não vos consigo dizer se os jogadores estavam de calças de ganga ou se o árbitro tinha muletas. Para o referido canal de televisão, a transmissão futebolística resumiu-se à imagem de uma câmara de vídeo apontada para a claque leonina! Um acontecimento épico! Noventa minutos de coreografia barata. Gritos, empurrões, saltos, cânticos, fumo de cigarro e especiarias. A assistir a tudo isto, do outro lado do ecrã, um pouco por todo o país – e talvez do mundo – vários telespectadores incrédulos. Entre eles, eu.

2016/06/10

O CARRO, O VELHO E O PASTELEIRO

A nossa alegria e hospitalidade são reveladas durante as épocas festivas. Altura ideal para esquecer as tristezas financeiras dos que trabalham para pagar impostos. Para além da gastronomia, as barrigas Tugas, recebem doces e bolinhos. E pouca educação cívica… À porta da confeitaria, estacionado em segunda fila, um senhor de idade avançada ignorava as buzinadelas dos condutores que queriam utilizar a faixa de rodagem que tinham direito. O importante era a sua esposa – impossibilitada de caminhar – que estava a comprar bolos e pastéis. Quem quiser que se desvie! O inesperado surge. Um pneu furado. A confusão instala-se quando o velho, arrogante e casmurro, recusa a ajuda dos transeuntes...

Mesmo, depois de constatar que, na fila de trânsito, se encontram duas viaturas de transportes públicos. Apesar do grau de dificuldade – pelo espaço disponível e postes de iluminação – subir o passeio revelou-se como a única solução para elas. No interior da confeitaria, o pasteleiro assistia a toda a agitação no exterior. Extremamente divertido com tamanha peripécia e com palavras menos simpáticas para o marido da sua cliente. Interrompeu as gargalhadas e sarcasmo quando avistou a lateral do autocarro, junto ao edifício. Em pânico, largou tudo e saiu a correr com um ferro na mão! Cá fora, desatou a gritar, ao motorista, para que este interrompesse a manobra, dando tempo para recolher o tolde publicitário e assim evitar despesas desnecessárias para a confeitaria. Assim, já perde a piada.

2016/06/03

UMA CRÓNICA SURREAL

Dado o teor das crónicas que escrevo tenho receio que os leitores comecem a pensar que tudo isto é fruto da minha imaginação. Pudesse eu dizer que sim. Quero garantir que são situações reais, bizarras e insólitas que espelham comportamentos exclusivamente “Tugas”…  Em Lisboa, um cidadão deficiente motor apresentou uma reclamação na esquadra da PSP. A queixa, ao contrário do que possam imaginar, incidiu sobre os elementos da polícia. Confusos?! Eu explico. O cidadão solicitou um reboque para remover a viatura de um “espertinho” que resolveu estacionar no lugar reservado a deficientes motores. Para muitos condutores a sinalização serve para decorar as ruas. Civismo é uma qualidade que os outros devem ter...

A viatura da polícia chegou ao local e um dos agentes, de imediato, pegou no livro de multas e começou a escrever com intuito de punir o condutor em infracção. Perante tal cenário, o cidadão perguntou, ao agente, o motivo pelo qual apenas preenchia a multa e não iniciava o procedimento de reboque, porque precisava de estacionar no respectivo local: «Vá perguntar ao condutor do reboque!». Assim fez, reforçando a sua intenção com o facto de outros colegas terem, no passado, retirado outras viaturas nas mesmas condições. Infelizmente tal desrespeito, pela sinalização, era já comum… O condutor do reboque recusou-se a efectuar tal manobra por não ter experiência suficiente. E, em caso de danos na viatura rebocada seria ele a suportar os custos. Com um salário tão miserável não ousou arriscar. O crime, por cá, compensa! Mas, pelo menos, os elementos da autoridade vão passando algumas multas… Já não é mau.