2020/12/01

PARTIDO POLÍTICO DO PROLETARIADO

Muitos afirmam que o ano de 2020 (sendo bissexto) trouxe grandes desgraças. Certamente, não vou contrariar a sabedoria popular – que se prolonga na história, ao contrário desta crónica que poucos vão ler – mas, numa análise cuidada, é possível descobrir outros culpados para a situação caótica que temos em mãos! O país divide-se entre os que estudam, analisam e propõem medidas de segurança e os que estudam, analisam e arranjam forma de quebrar as medidas propostas! É simples. As diversas pessoas – cansadas das consecutivas alterações à rotina – vão, aos poucos, desesperando com a falta de resultados e, principalmente, com os sabichões que arranjam motivos para ser excepção à regra. Porque, neste clima pandémico, a coerência deveria ser pedra basilar mas, para gáudio dos revolucionários anti-sistema, o péssimo exemplo veio de cima. O PCP (Partido Comunista Português) conseguiu, com muita polémica à mistura, realizar a sua festa na Quinta da Atalaia. Agora, volta a mostrar toda a sua força desafiando o poder político para realizar um congresso, quebrando as restrições em vigor para todos os habitantes do burgo. Tamanho acto de rebeldia (ou teimosia pura, se preferirem) está presente na essência do partido que encontra na proximidade com o povo a melhor forma de conseguir o seu apoio. E, tendo em conta os recentes resultados eleitorais, não se podem dar ao luxo de perder mais eleitores…

A opinião pública – que não compreende esta excepção – desdobra-se em reclamações e exige medidas para a retoma da economia e vida social. Afinal, tendo em conta os últimos meses, o povo ficou proibido de assistir aos jogos de futebol, grandes cerimónias religiosas em Fátima, diversos festivais de Verão e até mesmo as pequenas festas populares locais (abrilhantadas pelo “Quim dos Teclados” ou pelas “Catraias do Nandinho”, enquanto a malta ataca forte nas bifanas, pão-com-chouriço e muita cerveja). Muitos enfrentam o espectro do desemprego e falta de dinheiro enquanto o partido do proletariado assegura que “não se dá ao privilégio e egoísmo de se resguardar enquanto outros prosseguem o ataque a direitos e a exploração para garantir privilégios para o grande capital”. Seria de esperar que a inovação tecnológica tivesse bafejado estes dirigentes e, como acontece por todo o mundo, realizar o congresso com recurso às plataformas digitais. Talvez sirva de atenuante mencionar que o evento teve lugar em Loures. Município sob a alçada da força comunista e, de acordo com notícias vindas a público, celebrizada pela contratação de um electricista que, para além de familiar do secretário-geral do partido, recebe muito, trabalha pouco e, pelos vistos, não percebe de informática.

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