Usar o termo bruxaria é, por si só, motivo para metade dos leitores desistirem de ler o resto da crónica. Mesmo assim vou arriscar e se, por acaso, tiver alguém mais desesperado fica já avisado que não sei fazer qualquer tipo de amarração ou tenho o segredo para ficar milionário. Até porque, se o tivesse, não estaria a martelar as teclas do computador mas sim a gozar o sol da Jamaica, agarrado a dois daiquiri’s servidos por duas catraias (daquelas que só conseguimos chegar perto em revistas). Lembrei-me do termo à custa das redes sociais, nomeadamente o Facebook. Sim, esse maldito software informático – inventado por Belzebu – que nos corrói e destrói a alma. E só não invoco passagens bíblicas porque, segundo sei, até a Igreja se converteu a este mundo. Fizessem uma sondagem, a nível universal, e seguramente seriam poucas as pessoas que nunca tiveram conta nesta rede social. Apesar de muitos terem emigrado para o Instagram (primo mais novo do Facebook) marcaram presença e sabem que, no famoso ecrã azul, está o verdadeiro sentido da vida. Mesmo que cada utilizador tenha descoberto o seu, e diga que é o verdadeiro…
Aliar o sistema de mensagens (Messenger) à rede social foi mesmo a cereja no topo do bolo. Porquê esperar que o algoritmo – que ninguém consegue explicar como raio funciona – escolha a quantas pessoas vai mostrar a nossa mensagem se temos a oportunidade de enviar directamente a cada utilizador?! Quase como os comerciais à porta dos supermercados que nos abordam intempestivamente e só nos soltam com a promessa de comprar qualquer coisa. Mesmo que não se queira, o gesto de gastar dinheiro é sinónimo de readquirir a nossa liberdade e regressar a casa. Voltando às redes sociais, quero informar que recebi – de quatro pessoas, no mesmo dia – a mensagem que tanto esperava: descobriram forma de acabar com a propagação do vírus e, para isso, basta ficar em casa durante dois dias, que equivalem ao período crítico da curva do contágio. A mensagem – assinada por “nós, médicos” – é bastante apelativa: escrita de forma atabalhoada sob um fundo amarelo-torrado e, seguramente, acredito que muitos fiéis das redes sociais vão faltar aos seus empregos por acreditar na indicação. Porque o fim do mundo está perto e vamos ser afectados por um vírus intestinal que nos irá obrigar a usar fraldas! Ah, não acreditam?! Preparam-se, porque li isso no Facebook.
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