2021/04/16

O NOME DA ROSA

Abril de 2021. Para a nossa cronologia fica o relato da segunda fase de desconfinamento. A primeira fase, fruto da urgência em voltar à normalidade, não correu bem. Com mais ordem – e de forma faseada – os diversos sectores de actividade começaram a sacudir o pó e a receber os respectivos clientes. A justiça – seguindo a recomendação do governo para esvaziar as prisões – aproveitou a oportunidade para despachar o ex-primeiro ministro José Sócrates. Uma cerimónia digna da realeza, com duração aproximada de três horas, que teve acompanhamento pelos diversos órgãos de comunicação social e trouxe à memória o julgamento do outro infeliz que, por engano, colocou a mão no juramento e desatou a ler a bíblia. E sem óculos de ver ao perto! O antigo governante do partido da rosa – com uma lista de crimes capaz de fazer inveja a qualquer criminoso de renome – ficou indiciado apenas por alguns itens, para espanto e incredibilidade dos que escutaram o juiz Ivo Rosa durante toda a maratona da leitura do despacho. E sem qualquer intervalo…

O homem, com o estatuto de novo herói nacional, pavoneia-se pelas ruas à espera de uma interpelação pelos órgãos de comunicação social (ou pelo Correio da Manhã) para dar largas ao seu discurso de vítima injustiçada. Muitos criticam a ineficácia da Justiça perante os crimes pesados contrastando com a dureza para com os crimes leves. Ora, bem vistas as coisas, não podemos chamar meliante a um aselha que, para além de roubar pouco, se deixou apanhar. Uma vergonha para a classe do fananço! Porém, um indivíduo que se dá ao trabalho de montar uma teia de corrupção, com amigos leais e dedicados, muito dinheiro à mistura e ainda consegue “driblar” um juiz é, quanto a mim, candidato ao título de “Senhor dos Gatunos” e, deveriam convencê-lo a realizar um seminário ou curso intensivo. Seguramente tem tanto para nos ensinar! E tenho a certeza que não faltaria gente importante com vontade de frequentar esse curso.

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