Torna-se difícil escolher um tema (que não envolva tiroteio) quando os diversos canais televisivos, nos seus serviços noticiosos, insistem em ceder mais de trinta minutos por dia à Guerra na Ucrânia. Ora, se alguma informação é útil e válida, também é justo admitir que há muito chouriço para encher, com detalhes que não acrescentam nada ao actual cenário desolador da miséria humana. Por cá – bem à nossa peculiar maneira – vamos assistindo, impávidos e serenos, à postura discutível daquele partido que recusa aplicar o termo invasão e o casal de nacionalidade russa que, segundo dizem, em Setúbal, fazia demasiadas perguntas aos refugiados ucranianos. A polémica estalou e os intervenientes vivem a fase do “eu-avisei-mas-ninguém-quis-saber”. Seguir-se-á, em breve, a fase do esquecimento nacional e impunidade. Geograficamente – apesar de situados a cerca de 4000 quilómetros de distância – os países de Leste, agora em confronto, exercem sobre a economia nacional um impacto que nunca imaginei. Eu, que sempre atribuí a culpa aos espanhóis…
A onda inflacionista atravessou a Europa com a queda das primeiras bombas em solo ucraniano. Enquanto Kiev se tornava a principal atracção turística para políticos importantes, já as nossas carteiras sofriam com o aumento do preço dos combustíveis. A guerra foi a desculpa utilizada para justificar a escalada dos preços. Todos ficamos a saber – numa inequívoca prova da nossa absoluta ignorância – que os combustíveis líquidos e gasosos, ferro, alumínio e cereais são originários daquele território. E quem disser que o petróleo vem do Extremo Oriente, claramente, não percebe nada de economia e finanças! Para descobrir mais sobre a proveniência dos produtos de leste recomendo uma visita mais atenta aos corredores dos supermercados. Na minha última deslocação, por exemplo, constatei que as pastilhas de café sofreram um brutal aumento de preço. Lá está, outro bem essencial que atravessou a Europa, depois de cultivado e criado no calor tórrido das planícies de Leste. Contudo – para minimizar o impacto no orçamento familiar dos consumidores – o lote mais intenso e o descafeinado (mesma marca) não sofreram qualquer alteração de preço. Talvez seja uma medida para reduzir o consumo e nervosismo.
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