O dia dos namorados é, a seguir ao dia dos defuntos, o garante do lucro imediato para as lojas de flores. O amor que anda no ar espalha-se, tal como o pólen das abelhas, num bonito bouquet de flores coloridas que – devido ao elevado custo de vida – traz apenas duas, mas com a sensação de ter pago cinco! Talvez por isso se juntem chocolates ao ramalhete. Porém – resultado dos novos hábitos pandémicos – há uma escassez de afectos. Casais enamorados é, segundo pude apurar, uma espécie em vias de extinção. A malta mais nova (principalmente) não procura companhia para a vida toda, mas para o imediato ou próximas semanas. O importante é ter alguém para mostrar nas redes sociais. Um ou outro beijo e chega: muitos desconhecem a utilidade daquilo que têm guardado nos boxers ou cuecas! A virgindade parece estar na moda. Muitos passaram o dia dos namorados a rebuscar ideias para uma noite perfeita. Jantar num qualquer restaurante de fast-food e, quem sabe, uma sessão de cinema. Só o filme, porque as pipocas estão pela hora da morte…
Quando estiverem a ler esta crónica – assumo que vai acontecer – será perfeitamente natural que muitos destes casais estejam separados. Nem mesmo o cúpido tem a capacidade de mudar as mentalidades liberais que encaram o romance como uma aplicação de telemóvel. Talvez temendo o pior, a comunicação social tem vindo a insistir na questão da violência durante o namoro. Há linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas e, por muito que julguem amar alguém, a violência é inaceitável e nunca deve ser perdoada! Ninguém é fixe por dizer palavrões, vestir mal ou tratar a cara-metade como um pedaço de carne! Se tal acontecer, afastem-se! Entretanto, admito que deixei de gozar o dia dos namorados em 2006. Através do casamento fui transferido para a equipa dos casados e, como tal, não tenho justificação para festejar o dia dos que namoram – excepto ajudar na facturação de uma loja de flores. Espero, com ansiedade, a criação do dia dos casados e quando esse dia chegar, até me voluntario para ir directamente à Holanda escolher flores. Duas semanas, no mínimo.
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