Muito se tem falado sobre a implementação da inteligência artificial. De acordo com alguns peritos na matéria, está a acontecer e, segundo eles, é algo que está em marcha e não tem retorno. Tendo em conta o elevado grau de estupidez e incompetência que caracteriza a humanidade, ser gerido por uma máquina até nem parece assim tão mau. Porém, numa análise mais profunda, ter um conjunto de zeros e uns (linguagem binária) a ditar as regras básicas para a minha (e nossa) convivência é algo que já existe e assombra milhões de pessoas: chama-se vida de casado! Os homens podem sugerir à vontade mas, no final, a última palavra é delas. E sim, é impossível contrariar esta rotina que atravessa gerações. O mesmo tem vindo a acontecer com a tecnologia. Ainda recordo quando se acedia à Internet através de um modem que acordava toda a vizinhança (num raio de dois quilómetros) enquanto transformava a linha telefónica. Parece conversa jurássica, mas foi há menos de trinta anos. A invasão tecnológica existe, mexe com a carteira e obriga a uma constante adaptação para quem não quer perder o ritmo da evolução “bugiganguesca” asiática…
Como qualquer consumidor (em necessidade) desloquei-me a uma loja de vestuário numa grande superfície comercial. Não vou abordar o custo desmesurado das peças, tendo em conta a pouca quantidade de tecido, nem o facto da moda actual prestar homenagem a músicos rebeldes já falecidos. O impacto tecnológico ocorreu na chegada à caixa, para pagamento. Para além de vislumbrar vários terminais vazios – até cheguei a equacionar uma greve dos trabalhadores do sector – reparo que apenas um funcionário está ao lado do balcão a encaminhar os clientes para uma caixa metálica em regime self-service. Numa espécie de formação ultra rápida, o cliente fica apto a enfiar a roupa num buraco que, pasmem-se, lê os códigos de barras no meio daquele amontoado. Em frente, sacos de papel com três tamanhos, para escolher conforme o volume de roupa comprado. E, pelo meio, uma espécie de pinça metálica para retirar os alarmes e qualquer alfinete que possa provocar morte por hemorragia. Dobrar, atafulhar na saca e pagar. Um atendimento gélido, que transforma qualquer cliente num funcionário destemido. E com a vantagem de (ainda) pagar por tudo isto, reduzindo os custos com o pessoal da loja. Confesso que, mesmo não precisando de mais roupa, sinto vontade de lá voltar.

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