2023/11/17

O ESTIGMA DE NOVEMBRO

A superstição é uma característica exclusiva da raça humana. Afinal, nunca vi um cão entrar na casota com a pata direita ou um urso não trocar de meias só por causa de uma boa pescaria. Há mais exemplos, mas não quero transformar esta crónica no “National Geographic”. Eu, por motivos pessoais que envolvem aniversário, adoro o mês de Novembro. Outros festejam a queda do Muro de Berlim e, seguramente, há mais efemérides para festejar com a força toda. No entanto, tendo em conta o momento difícil que o nosso país atravessa, não posso deixar de abordar a temática da política. Numa das escassas vezes em que deixamos o futebol para segundo plano, o tema das conversas é o terramoto político que provocou o pedido de demissão do Primeiro-ministro António Costa. Como é hábito na minha escrita, não vou perder tempo com análises de conjuntura, cenários hipotéticos ou outras considerações fúteis. O meu foco é (e sempre foi) o caricato que envolve uma determinada situação. E, neste caso concreto, acredito que nenhum socialista (digno desse título) goste deste mês…

Num rápido exercício, de memória cronológica, é possível recuar até 2014, quando assistimos à detenção de José Sócrates (ex-primeiro-ministro), no Aeroporto de Lisboa, à chegada de Paris. No decorrer do processo e atenção mediática juntaram-se mais três arguidos. Em 2021, António Costa, na sequência do chumbo ao orçamento de estado, viu convocadas eleições legislativas antecipadas e consequente dissolução da Assembleia da República. Em 2023, surge nova derrocada socialista. Motivada pelos negócios ecológicos, mas alegadamente problemáticos aos olhos da lei, feitos pelo ministro Galamba – aquele que sempre esteve bem protegido. Na sequência deste processo de investigação, António Costa bateu com a porta e apresentou a sua demissão. Depois de oito temporadas no activo, a sitcom desastrosa, que teve como tema principal mostrar como se arruína um país (já desgraçado a vários níveis), terá novo protagonista. Seguem-se meses de propaganda eleitoral, falsas promessas e muita desinformação. Talvez, dentro de dias, o futebol volte a ser o principal tema de conversa. Afinal, no mundo da redondinha, sabemos sempre com o que contamos.

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