2025/01/24

O MAIOR ESPECTÁCULO DO MUNDO

Lamento desiludir as (poucas) pessoas que passaram as vistas pelo título e, durante a crónica, vão descobrir que não tem nada a ver com a arte circense – se bem que possa envolver um ou outro palhaço. Pretendo alertar os eleitores mais desatentos, que já abriu a caça ao voto mesmo sabendo que as eleições autárquicas estão agendadas para Setembro ou Outubro deste ano. Como não há tempo a perder e ninguém respeita os prazos de campanha, é ver os engravatados a fazer pela vida! Escolhi esta expressão por dois motivos. O primeiro porque já muitos telefonemas foram feitos e muitos dos amigos já escolheram os melhores lugares (diga-se, câmaras municipais) para concorrer. O segundo envolve os que estão em risco de perder o emprego, por não pertencerem à cor política do partido que está no governo. Desenganem-se, os cargos políticos são atribuídos por critérios duvidosos e mesquinhos, nunca pelo respectivo mérito – fosse pela competência e o parlamento teria muitas cadeiras por preencher…

É absolutamente fantástico observar a quantidade de abutres que gravitam em redor do primeiro-ministro. O homem sai de Lisboa, para uma qualquer visita, e tem de levar com o presidente da Câmara Municipal, vários membros do executivo, presidentes das freguesias e demais almas que queiram aparecer. Todos aglomerados e num esforço monumental para conseguir caber no enquadramento da reportagem para o telejornal. Empurrões e cotoveladas, ao nível da cintura, mas respeitando a hierarquia governamental: coitado do que fique a eclipsar o presidente da Câmara! Há sempre um motivo para visitar um município da cor política, mesmo que seja para entregar os mesmos elogios que o executivo socialista entregou quando estava no poder. E mesmo que o director (ou patrão) tenha na parede do escritório uma fotografia gigante a dar um abraço ao António Costa, seguramente, vai pegar naquela moldura e substituir pelo mesmo abraço vigoroso e impostor ao Montenegro. A hipocrisia está na rua e promete atingir níveis histéricos. De propósito, não mencionei os munícipes. Afinal, neste grandioso espectáculo de marionetas e engravatados sem escrúpulos, o povo é quem menos ordena.

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