A 15 de Setembro celebrou-se mais um aniversário do SNS (Serviço Nacional de Saúde). Tal como eu, é uma excelente referência de 1979. No entanto, ao contrário da minha ilustre pessoa, o SNS não goza de boa saúde. Encontra-se num estado débil, quase moribundo e confesso ter dúvidas sobre a intenção de o salvar. Sucessivos governos – e respectivos ministros da tutela – aplicaram inúmeras medidas para melhorar a qualidade e abrangência do serviço. Infelizmente, alguma coisa correu mal pelo caminho e, tendo em conta os resultados alcançados, deu-se um êxodo geral para o privado. Talvez pela maior eficácia das administrações, que não dependem da máquina burocrática do Governo, os cuidados de saúde privados atraíram (e continuam a atrair) imensos utentes. As companhias de seguros entraram neste jogo e, claro está, com tanta oferta e preços baixos, é possível contratar um seguro de saúde até no corredor dos hipermercados. Inclusive, as limitações e as perguntas aborrecidas de outrora foram abolidas! Mesmo que padeça de um sem número de maleitas (com lista de promessas ao santo milagreiro) pode subscrever um plano à sua medida…
A constante marcação de greves, falta de médicos e grávidas que recebem os seus bebés nas rotundas (em vez das cegonhas de França), demonstra que há problemas graves num sistema pioneiro, que entretanto foi ultrapassado. Mesmo assim, por alturas das eleições legislativas, chovem promessas e garantias que “vai ficar tudo bem” – ainda se lembram?! Como utilizador ocasional deste serviço, que até tem médico de família atribuído, dou por mim a pensar que o problema do SNS não está no número de médicos, mas sim no excessivo número de pacientes. Uma das medidas que, quanto a mim, ajudaria a reduzir as listas de espera, é a criação do cheque-defunto. Cuidado, não confundir com eutanásia! Esta modalidade, com convénios celebrados com diversas agências funerárias, permite que um indivíduo, cansado de se queixar do dinheiro gasto em medicamentos e deslocações, opte por antecipar o seu falecimento, escolhendo o dia e a hora que mais lhe convêm. Até pode tratar directamente do envio dos respectivos convites, disposição e decoração do local pretendido e confirmação da lista dos convidados. Nada mais simples para reduzir a lista de espera. É escusado dizer: com menos utentes para tratar, o SNS voltaria aos tempos da “outra senhora” – no qual nem havia tempo para ficar doente.
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