2016/08/26

CONFUSÃO NA MADEIRA

A marcação das eleições legislativas regionais na Madeira resultou do pedido de exoneração apresentado pelo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, na sequência da eleição de Miguel Albuquerque para presidente da Comissão Política Regional (PSD). Desenganem-se os que pensam que a política é aborrecida. Na Madeira pode acontecer quase tudo. Até um partido eleito, neste caso o PSD-Madeira, conseguir festejar a vitória eleitoral duas vezes em menos de três dias. Foi uma noite longa e extremamente controversa. Por volta das oito da noite, Miguel Albuquerque tinha perdido a maioria absoluta. Três horas depois do edital – afixado pela comissão de verificação da Assembleia de Apuramento Geral de votos – voltava a ser o vencedor. No meio desta indefinição várias pessoas, com responsabilidades políticas relevantes, efectuaram declarações baseadas no calor do momento. Tudo comentários que poderão ser apagados. Ou não...

A explicação oficial foi bastante simples. O esquecimento de incluir os dados da ilha do Porto Santo. O edital foi afixado consagrando a CDU. Após reclamação, a Comissão Nacional de Eleições, voltou a reunir, refez os cálculos e redigiu uma acta que anulou a anterior. Estragou os festejos dos apoiantes comunistas que já celebravam uma vitória histórica. Até muito tarde a incógnita seria revelada. Primeiro com um erro. Depois com uma certeza que merece recurso. Por fim, com uma reunião tensa entre representantes dos partidos para apaziguar os ânimos. As críticas multiplicam-se. Alguém tem de assumir a responsabilidade pela euforia momentânea e consequente balde de água fria. Porque isto, meus senhores, é brincar com as pessoas! Não se faz.

2016/08/19

O SONHO DO TEU FUTURO

Um dia depois e ainda sinto o nervoso miudinho da mais recente data que ficará gravada, para sempre, na cronologia da nossa gloriosa história. 10 de Novembro. O dia em que recuperamos a nossa liberdade perante a austeridade, crise, fascismo e outras coisas que queiram ver aqui escritas. E eu, ainda ganhei uma conta extra, do telemóvel, pois ultrapassei o plafond de Internet móvel para conseguir acompanhar novas de Lisboa. Na Assembleia teve lugar um debate, que durou dois dias, entre os dois pólos distintos. Os que queriam governar e os que queriam começar a governar. Confusos?! Não. O acordo inédito e histórico foi assinado e os partidos da oposição (a força de esquerda) apenas aguardavam pelo final do debate para entregar a moção de rejeição. Documento responsável pela queda do XX governo. O mais curto da história com 11 dias de duração. E mesmo assim deu para ver alguns aselhas e suas tristes figuras...

O povo saiu à rua! Algumas camionetas de excursão foram desviadas, da sua rota, para conseguir levar reformados até à capital. Todos a caminho das manifestações! Sim. Duas! Separadas por escassos metros e por alguns agentes de autoridade – assustados com o cheiro a naftalina – receando que os ânimos se exaltassem e tivesse lugar uma luta entre bengalas e andarilhos. Uns a favor da mudança política e os outros a favor do actual governo e austeridade. Já se gritava “liberdade”, “vitória” e “o governo caiu” duas horas antes da votação oficial. O entusiasmo tem destas coisas. A Grândola Morena também foi cantada. E assim foi o remake do 25 de Abril. Sem confrontos. Sem violência. Sem chaimites. Sem cravos. Mas, tendo em conta as reportagens televisivas, a cabidela e o vinho tinto ficarão como símbolo deste dia. Mas a história não termina aqui! Tem a palavra, Cavaco Silva. É aguardar. 

2016/08/12

POR RUELAS E CALÇADAS

Muitos comentadores desportivos fazem questão de acentuar as diferenças de orçamento, entre as várias equipas do campeonato nacional de futebol. Concordo plenamente! E não se trata apenas dos plantéis. A chegada do autocarro do Sporting ao Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas (recinto do Moreirense) não decorreu com tranquilidade absoluta. Enquanto centenas de adeptos, num clima de euforia, saudavam a equipa orientada por Jorge Jesus, uma manobra mal calculada, a entrar para o parque de estacionamento, levou a que a equipa ficasse cerca de dois minutos bloqueada à entrada. É certo que a manobra exige alguma perícia...

Ainda assim, o autocarro que transportou a equipa do Moreirense – mais calejado nestas andanças – passou sem dificuldades. A viatura dos leões não conseguiu entrar à primeira e acabou por ficar bloqueada. Com a marcha atrás a afigurar-se difícil, o autocarro do Sporting teve mesmo que esperar que uma carrinha, afecta à organização do jogo, fosse retirada. A situação não agradou aos leões e, inclusive, alguns elementos do “staff” saíram do autocarro. Os adeptos esperam que a equipa, durante o jogo, não encontre tantas dificuldades para conseguir chegar à baliza adversária.

2016/08/05

UM COMPLETO DESNORTE

Ricardo Salgado, ex-presidente executivo do Banco Espírito Santo, teve um império financeiro sob a sua alçada. Foi considerado o banqueiro há mais tempo no activo em Terras Tugas. Uma referência nacional e exemplo a seguir. Em 2014, graças a um processo de investigação, foi detido em sua casa por alegado envolvimento na maior rede de branqueamento de capitais alguma vez detectada por estes lados. A investigação está longe de estar concluída. E o juiz responsável decidiu que o acusado vai aguardar o desenrolar das investigações em prisão domiciliária, sem pulseira electrónica. Poderá sair excepcionalmente da habitação, com autorização do juiz. Recebeu também, como medida de coacção, a proibição de contactar os restantes arguidos no processo. O documento foi redigido e entregue às autoridades para que fizessem cumprir a vontade suprema do juiz...

O modo de garantir a vigilância e cumprimento das ordens judiciais ficaram a cargo da PSP de Cascais que admitiu dificuldades em assegurar este serviço. Problemas! A vigilância foi alterada porque durante dois dias um dos agentes esteve na porta errada. Revisto o dispositivo de segurança continuaram a ser necessários oito agentes policiais por dia. Pudera, o casarão é enorme! No terreno, alguns agentes anotaram a hora e as matriculas das viaturas que entravam nas instalações. Por vezes verificavam os seus interiores ou então, o número total de visitantes. A lista dos incontactáveis não chegou. Os agentes não souberam a identidade das pessoas com quem o ex-banqueiro não podia contactar. Um completo desnorte policial! Ordens judiciais imprecisas acabaram por afectar a reputação das forças de autoridade. Algo que, sinceramente deveria ter sido evitado num caso com tamanho mediatismo.