Permitam-me que, num exercício de viagem no tempo, regresse a 2014. Nessa altura, consegui exibir o documentário “In Matosinhos” em três freguesias diferentes do concelho de Matosinhos. No final teve lugar uma pequena conversa, com os presentes, acerca dos temas abordados neste trabalho de cidadania. Curiosamente, as opiniões divergiram e, em poucos minutos, rotularam-me com várias ideologias políticas sem saber bem como nem porquê! Integraram-me na direita populista por ter posto em causa as intenções dos governantes e, ao mesmo tempo, na esquerda radical porque, segundo alguns “iluminados”, tive o descaramento de afirmar que o povo tem voz e, como tal, deve fazer-se ouvir! Escapei, por pouco, à acusação de terrorismo. Lamentavelmente, esta mentalidade redutora mantém-se. Porém, mais activa e complicada, como resultado do aumento das forças políticas. As ideologias adaptaram-se aos tempos modernos e vontade do eleitorado, cada vez mais insatisfeito com o formato actual da democracia. A ocasião facilita a chegada de profetas milagreiros que – dizendo aquilo que queremos ouvir – garantem resolver todos os problemas…
Num registo para a posterioridade, recordo que Agosto de 2020 vive um clima de ebulição política. Embora diferente de anos anteriores – graças à pandemia – temos oportunidade de ver no terreno vários dirigentes determinados a protestar, mas ninguém sabe porquê! O PCP (Partido Comunista Português) arranja estratagemas e procura lacunas nas indicações da DGS (Direcção Geral Saúde) para levar avante o seu festival de Verão, com milhares de pessoas. O CHEGA mobiliza pessoas para manifestações anti-racistas num país que, até há bem pouco tempo, era conhecido por ser pacífico e sossegado. O PSD (Partido Social Democrata), principal partido da oposição, vai preparando uma coligação com as novas vozes revoltadas, que culpam os indivíduos de raça negra (e os ciganos) por todo o mal que há na Terra. O PS (Partido Socialista) deixa-se estar sossegadinho e, como em qualquer manual para vencer a guerra, espera que os opositores acabem por dar um tiro na própria cabeça. O Presidente da República é o novo herói das “Marés Vivas” e, mesmo estando de férias (com todas as televisões por perto), faz salvamentos! Caros leitores, bem-vindos ao fantástico jogo da política.
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