Há dias, numa galeria comercial, tive oportunidade de visitar uma pequena exposição de gaming – utilizo esta palavra inglesa para tentar mostrar que, de facto, percebo alguma coisa das novas tecnologias quando, na verdade, apenas repito o que lá estava escrito. Dois corredores equipados com diversos aparelhos informáticos que mostravam o grau de evolução nas últimas décadas. Senti-me um autêntico génio da arte de computar e acompanhei, sem dificuldade, todas as bugigangas até aos anos 90. Depois disso, foi a desgraça! Nunca imaginei que a evolução digital fosse tão repentina e martirizadora para os que não a acompanham. Principalmente quando, num jogo amigável de futebol, reparo que um petiz ranhoso está a vencer a minha equipa por 4-0 e ainda o jogo vai no minuto dez! Não estivesse num corredor público e aviava-o de porrada. É justo dizer que sou um mero utilizador básico do computador sem qualquer vontade de ouvir o canto das sereias do mundo digital. Tenho Instagram com três publicações e um desejo crescente de excomungar o Facebook…
O maldito software – criado pelo Diabo para nos consumir a alma – tem mais regras que o Código Penal. É impossível encontrar uma lógica naquele campo minado, que insiste em revelar o pior que existe em cada um de nós. Somos um alvo fácil à espera de ser encontrado pela empresa certa: basta procurar um anúncio e, num ápice, surgem mais oportunidades de negócio que nas Páginas Amarelas. Recentemente, esta rede social transformou-se num canal de vendas em directo: roupa, carteiras, sapatos e afins. Há para todos os gostos e feitios! Tem um casamento e não quer gastar dois salários em vestuário!? Basta abrir o Facebook e em poucos minutos será o digníssimo proprietário de um fato de gala, cuja marca ninguém conhece. E se alguém disser que tem uma manga maior que a outra, é porque não percebe nada de moda! E, com tanta dose de boniteza, chega a realidade mais atrevida. Nos últimos tempos, tenho a minha caixa de mensagens cheia de convites de miúdas carentes seminuas que, para além de enviar fotos, se desfazem em elogios à minha humilde pessoa. Fazem fila para me conhecer e, quem sabe, algo mais. Eu, cujo grau de beleza anda nas ruas da amargura, sinto-me um verdadeiro mestre na arte do engate. Um autêntico Don Juan virtual! E tudo isto à distância de um clique, sem sair de casa.
%20DON%20JUAN%20DO%20FACEBOOK.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário