Ainda não tive oportunidade de agradecer condignamente a todos aqueles que, através das redes sociais, enviaram algumas mensagens de parabéns. Podia escrever que mais de metade dos que estão “amigados” tiveram coisas mais importantes para fazer e que, de igual modo, o gesto de telefonar ao aniversariante parece ter caído em desuso. Mas, para memória futura, quero recordar que dei forte num bolo de chocolate enquanto desafinei à brava durante todo o respectivo cântico. Estive acompanhado pela esposa e filhos que, morando cá em casa, não tiveram escolha. A meio da cerimónia, o meu filhote decidiu começou a correr desenfreadamente e eu, de forma inconsciente, alinhei na corrida. Posso dizer que, dois tubos de pomada anti-inflamatória depois, ainda continuo com dores nas costas! Tive um breve encontro com a realidade nua e crua: já não sou um rapaz novo e, mesmo nos quarenta e qualquer coisa, não tenho idade para quaisquer correrias. Há que medir bem os esforços e qual a disponibilidade física. Penso que se chama a isto envelhecer…
Todos nós temos, mais cedo ou mais tarde, esta triste noção da realidade. As mãos tremem, as articulações começam a receber as previsões meteorológicas, as costas parecem que carregam o peso do mundo e outros sintomas sobejamente conhecidos. Podemos não reconhecer de imediato, mas surge alguém que quer prestável, quando eramos nós quem ajudava os outros! O tempo passa num ápice e, sem darmos conta, tudo em nós regrediu. Há quem aceite e há os mais inconformados que recorrem a ginásios ou tratamentos para tentar fintar a passagem dos anos. Irremediavelmente, há que aceitar o verbo envelhecer! Nas últimas semanas, pelos relatos jornalísticos do Qatar, o nosso capitão e jogador com maior palmarés desportivo, enfrenta o mesmo problema que eu tive. A bola corre mais depressa, a velocidade e o poder de explosão estão mais contidos e a capacidade de finalização é quase nula. Mesmo apetrechado com equipamentos médicos – que fazem inveja a muitos hospitais – o corpo parece exigir a reforma antecipada e o merecido descanso de uma vida marcada pela exigência máxima. Apenas ele saberá lidar com esta pressão mental imposta pela comunicação social. A sua falange de adeptos critica quem o critica. Inveja, ingratidão (e outros adjectivos da letra “i”, do dicionário) são frequentemente utilizados nos debates públicos que querem decidir o futuro do atleta. Tivesse ele a minha festa de aniversário e nem escolha tinha: sentado no sofá, manta nas pernas.
%20INGRATID%C3%83O%20COLECTIVA.jpeg)
Sem comentários:
Enviar um comentário