O anúncio, lançado com pompa nas redes sociais, prometia um evento à altura dos verdadeiros astros da festa: os cavalos, soberanos absolutos, independentemente de quem lhes ocupa a sela. Com o sol a romper as nuvens por cortesia divina, as provas iniciaram-se em ordem crescente de dificuldade, mas o que se seguiu foi um espectáculo de areia e frustração. Por motivos que a minha leiga compreensão equestre não alcança, os "bichanos" decidiram que não saltavam e o chão tornou-se o destino de muitos cavaleiros logo ao primeiro obstáculo. É gritante o esforço de quem montou nove etapas para, no final, constatar que nem metade seria digna de uso. Entre apostas cínicas sobre se alguém passaria mais do que três varas, a esperança ainda resistia, mas a fachada de profissionalismo estava prestes a desmoronar-se da forma mais violenta possível…
O desastre aconteceu a meio da prova: um cavalo falhou o salto e desabou sobre o jóquei, despejando meia tonelada de músculo e osso sobre o lombo de quem ali estava para competir. Os gritos de agonia, que ecoaram sem filtros pelo recinto, foram o rastilho para a vergonha: todos procuraram a ambulância, mas encontraram apenas o vazio. Ali, naquela prova com chancela federativa, o amadorismo venceu a segurança. O "desenrasque" típico tomou conta da organização, preferindo-se o silenciamento das irregularidades ao cuidado humano. Enquanto discussões acaloradas tentavam salvar o prestígio do recinto, o atleta, esquecido e dorido, era arrumado num barracão à espera de socorro externo. Porque o espectáculo tem de continuar, mesmo que o preço seja a dignidade de quem caiu e o cinismo de quem, do lado de fora, finge que nada se passou.
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