2016/11/24

QUO VADIS, MATOSINHOS?

Desenganem-se os que pensam que quero abordar a temática religiosa desta expressão latina que significa “para onde vais”. A nossa cronologia tem revelado uma terrível desavença entre o humor e religião. A minha atenção está vocacionada para outro tema problemático e deveras importante para esta belíssima cidade de horizonte e mar: a política! Nas eleições autárquicas de 2017, todos os Matosinhenses foram chamados a exercer o seu direito de voto, sendo ele consciente ou não. Alguns, mais cépticos, encontraram pretextos para não aparecer e contribuir para uma vitória esmagadora da abstenção. É a ironia dos Tugas: celebrar a queda do fascismo, festejar a conquista do direito ao voto e, depois, desprezar tudo isso. É o que temos… A situação económica, social, financeira – ou outra qualquer que queiram ver aqui escarrapachada – não é das mais aconselhadas em Matosinhos. Há dificuldades e falta de verbas, sabemos disso. E, como tal, a herança política é bastante pesada para quem for escolhido a tomar as rédeas do concelho. Um presente envenenado e mesmo assim – num tremendo acto fulminante de coragem e destreza – surgiram candidatos, candidaturas e manobras de bastidores infelizes. Deixo os pormenores sórdidos para os especialistas na matéria. Eu, seguramente, não o sou!

Considerando a óptica de cidadão eleitor posso afirmar que, tendo em conta o actual panorama, estou tentado a não sair do sofá no dia das eleições. Lamento profundamente as traições, divisões e falta de ética de alguns intervenientes, independentemente das suas cores partidárias. As forças de campanha teimaram em desenvolver todos os esforços (possíveis e impossíveis) para conseguir angariar mais um voto. Até porque, tendo em conta o nível de envelhecimento do povo matosinhense, daqui a quatro anos muitos deles já não estarão cá para votar. É aproveitar agora! Na qualidade de “filho da liberdade” (porque nasci depois de Abril ’74) vou aguardar, com expectativa, a entrega dos galhardetes, sacas de plástico, aventais, canetas e demais bugigangas chinesas. Depois, logo se vê…
 

2016/10/14

A ARTE DO DESENRASQUE

Circula uma teoria económica popular que critica o desperdício de verbas por falta de sensibilidade dos gestores públicos. Defende que a contabilidade deve ser idêntica à análise financeira das nossas casas. Ter noção das receitas e, principalmente, das contas a pagar. Mesmo com a firme convicção que as autarquias estão a fazer um esforço para evitar grandes gastos. E, neste ponto, a arte do desenrasque é fundamental. Matosinhos foi (novamente) referenciada nas redes sociais e comunicação social. Num constante esforço de modernização citadina, pela autarquia, para melhor receber os turistas, foram criados corredores de circulação para as bicicletas. Meio de transporte bastante apreciado e que não polui. Bravo, senhores do respectivo pelouro! Resolveram aproveitar as estradas existentes...

Numa das principais artérias da cidade começaram por delinear, no pavimento negro, rectângulos brancos, para o estacionamento ordenado de viaturas. Gratuito até indicação contrária. No dia seguinte, o espanto tomou de assalto os Matosinhenses. Pelo raiar da manhã, tornou-se visível que a máquina de pintar linhas queria mais do que o alcatrão. Atacou os passeios sem dó nem piedade! Num acto ruinoso – revelador de graves falhas matemáticas – os respectivos técnicos começaram a traçar uma linha longitudinal no passeio destinado aos peões. 80%, destinado aos ciclistas e restante percentagem para os transeuntes. Apesar de estar no plural, convém referir que apenas passava uma pessoa de cada vez. Carrinhos de bebé? Pela faixa dos ciclistas ou pela estrada. Simples! Tem rodas! O erro foi reparado e a faixa separadora removida, naquele que é o mais recente, triste e evitável episódio da cronologia desta cidade.

2016/10/07

O GOLPE DO PORTUGUÊS

Os cientistas e outros investigadores vivem na esperança de uma descoberta fabulosa e inédita, que lhes permita atribuir o nome ou apelido. Uma forma de imortalizar o seu trabalho. Confesso que, numa fase inicial, gostei do título da crónica. É sonante! Uma distinção para a nossa nacionalidade! Afinal, enganei-me. Do Brasil (país irmão), chegam as imagens e a história de onze portugueses detidos. São suspeitos de terem aplicado o que no nosso país já é conhecido pelo golpe do português. Um crime de burla em que produtos contrafeitos são vendidos como se fossem de marca. Além das detenções, a polícia brasileira apreendeu casacos, malas e perfumes...

Apresentam-se em carros topos de gama e vestidos a rigor. Procuram escritórios para mostrar produtos que garantem ser de marca. Identificam-se como empresários portugueses. Explicam que o material vem de um centro comercial, em falência, e que precisam vender os itens a preço de custo para evitar pagar impostos. Assim conseguem juntar dinheiro para regressar a Portugal. A burla resulta! São educados e carismáticos, usando a condição de estrangeiro para produzir uma situação legítima. As vítimas, com vergonha, optam pelo silêncio. Recusam apresentar queixa junto das autoridades competentes que, sem provas ou testemunhos, nada podem fazer. E é esta a nossa imagem de marca no outro lado do Atlântico.

2016/09/30

O TERROR PARA OS ACELERAS

O anúncio foi feito com a pompa e circunstância que a ocasião exigia. Um reforço de peso para a frota da Polícia Segurança Pública. Um aviso aos mauzões e pilotos de rally das estradas nacionais. Cuidem-se! Porque a mais recente aquisição é um Audi R8 4.2 Fsi Quattro. Promete não dar tréguas aos que colocam a vida de todos em risco. Este veículo já pertenceu ao jogador Angel Di Maria quando ainda estava no Benfica. Foi vendido a um stand de automóveis e adquirido por um dos maiores traficantes de droga do País. Apreendido, em 2013, numa grande operação policial, está agora na posse do Estado Português. O terror para os aceleras... 

Com 420 cv, atinge uma velocidade superior a 300 km/h. Chega aos 100 km/h em menos de 5 segundos. Convém recordar que uma máquina destas não é para todas as bolsas. Custa cerca de 170 mil euros. Numa fase inicial ficará por Lisboa para acções de fiscalização, visitas de estudo ou exibições públicas como efeito dissuasor. Contudo, em caso de necessidade, será usado por todo o país. Certamente ao divulgar, desta forma, tamanho reforço policial, as autoridades deveriam saber que ficam mais expostas aos olhares indiscretos que anseiam por uma qualquer escorregadela. Não foi preciso aguardar muito tempo para ver, nas redes sociais, uma fotografia, deste bólide, numa auto-estrada em cima de um reboque. Há dificuldades orçamentais na Administração Pública. Muitas viaturas policiais estão amontoadas em garagens ou parques por falta de peças ou combustível. Algo que um veículo, desta categoria, consome em quantidades descomunais! Não anda a água! Contudo, ainda agora entrou ao serviço e já está de baixa.

2016/09/23

ALGO DIFÍCIL DE ENTENDER

Em Valado dos Frades existe um parque empresarial com 34 lotes, uma área de equipamento comercial e de serviços, para apoio logístico às unidades instaladas. Encarado, pela Câmara da Nazaré, como um dos projectos-âncora do desenvolvimento do concelho e criação de emprego. O projecto foi candidato a fundos comunitários. Incumprimentos provocaram a rescisão definitiva da candidatura. Algumas infra-estruturas ficaram por concluir por dificuldades financeiras. A MDPlastics – única empresa a laborar no parque – efectuou um investimento na ordem dos 10 milhões de euros. Em 2015 iniciou a sua actividade. Desculpem, calvário! Numa conferência de imprensa, a administração informou que se encontra impossibilitada de receber energia eléctrica. Graças a um desentendimento entre a Edp e a autarquia...

Segundo o administrador, o problema reside no facto de a Câmara não aceitar entregar, a título de propriedade e posse, as infra-estruturas eléctricas de média tensão, à Edp, para que sejam ligadas à rede pública. Esta teimosia dura há cerca de onze meses. A empresa recorre a geradores para funcionar mas não consegue tirar partido de toda a capacidade instalada. Os prejuízos directos mensais rondam os 60 mil euros, devido aos custos com equipamento e combustível. Este caso chegou aos tribunais que decidiram contra a autarquia. Ainda assim, Walter Chicharro manteve a posição, o que levou a empresa a intentar um processo de execução coerciva, do qual aguarda sentença. Tamanhas dificuldades causadas por mentalidades casmurras e retrógradas é algo difícil de entender. O parque empresarial desespera por lotes que não se vendem. Talvez seja fácil entender qual o motivo.

2016/09/16

IDE PARA A VOSSA TERRA!

A primeira crónica escrita em directo! A emoção do momento e a informação fornecida, pelos diversos canais televisivos, impeliram-me para começar a escrever. Não há memória de tantos barrigudos envelhecidos no mesmo plano televisivo. Os taxistas reuniram-se num buzinão monumental que causou o caos nas estradas de Lisboa. O protesto foi organizado a nível nacional para contestar a decisão do governo em aprovar e legitimar a actividade da “Uber” e “Cabify”. Segundo os taxistas, estas organizações são ilegais e devem cessar actividade. E deixar de roubar os clientes! Todos sabemos que a expressão “protesto pacífico” é algo que as autoridades gostam de ouvir. É reconfortante e até funciona nos primeiros instantes. Depois, os ânimos exacerbados possuem os manifestantes e acaba tudo ao barulho. Porque não aceitam um não como resposta...

Estou há duas horas a receber novidades da capital através de um canal televisivo. Acompanham o trajecto dos manifestantes e aproveitam para recolher algumas declarações. Entre frases mais impróprias e insultos, tudo serve para explicar aquilo que não se sabe. Há uma manifestação e é preciso ir. O porquê não se sabe. É o espírito sindical! O exponente máximo da ignorância chegou numa frase – que espelha o elevado grau de civismo e cultura – “Ide para a vossa terra!”. Parabéns. Um excelente argumento! No aeroporto, junto ao posto de combustível, também se verificam incidentes e momentos de tensão. Um grupo avistou uma viatura da concorrência e resolveu recorrer às ameaças e tentativa de agressão. Num país livre, é esta a forma que alguns Tugas – com cérebro tão oco como um airbag – encontram para exigir, ao governo, a satisfação das suas exigências. Contra tudo e todos, porque tem de ser.


2016/09/09

TERRORISTAS NO AEROPORTO

A comunicação social tem um papel essencial na divulgação das notícias às populações. Um jornalista sabe que deve respeitar um código deontológico. Antes de passar uma mensagem convém averiguar. Outros preferem recorrer ao lado sensacionalista. Sem qualquer rigor. A pista de aterragem, do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, esteve encerrada por trinta minutos por razões de segurança. Foram avistadas pessoas junto à pista. Como os Tugas escarrapacham tudo nas redes sociais o burburinho começou. A curiosidade começou a ganhar adeptos. Em pouco tempo, todos nós – no conforto do nosso sofá – assistíamos, em directo, às tentativas rocambolescas de saber mais...

Na ausência de comunicados oficiais, focaram a atenção para as pessoas que aguardavam nos corredores do aeroporto. Muitas delas desconheciam o que se estava a passar. Não interessa! Um depoimento (um senhor que aguardava familiares de Faro) captou a minha atenção: «segundo consta até podiam ser alguns drogados a caçar Pokémons, não sei. Isto agora anda tudo maluco! Já ninguém dá conta disto. Isto é um flagelo. (…) Queria era o reembolso do estacionamento. Pagava, tipo, meia hora e o resto pagavam eles. (…) O avião anda lá em cima às voltas. Disseram que está tudo bem e que não vai precisar de “gazoil”.» Segundo a Unidade Nacional Contra Terrorismo, da Polícia Judiciária, foram detidos quatro indivíduos argelinos. Escaparam por uma porta de emergência antes da zona de controlo de passaportes. Não se confirmou qualquer ligação a células terroristas. Apenas pessoas que procuravam uma oportunidade na Europa e que não faziam ideia dos rumores e disparates que, no aeroporto, tinham inventado sobre eles.

2016/09/02

PERDIDOS EM ARRANHÓ

Arranhó. Freguesia do concelho de Arruda dos Vinhos com cerca de 2.300 habitantes. Tem património histórico e um museu dedicado à escritora e pedagoga Irene do Céu Vieira Lisboa. Em 2016 conseguiu notabilidade nacional graças à 78ª edição da Volta a Portugal em bicicleta. Decorria a oitava etapa que ligou a Nazaré a Arruda dos Vinhos. A transmissão televisiva mostrava o pelotão perseguidor do grupo de fuga, com cerca de seis minutos de atraso, quando o comentador referiu a invulgar presença de várias viaturas automóveis, estacionadas à revelia, no percurso oficial da prova. O sinal de alerta. Havia algo de errado... 

A cerca de 16 quilómetros do final da etapa, o pelotão seguiu por um trajecto errado. O engano surgiu perto de Arranhó, numa rotunda em que dezenas de ciclistas se equivocaram, seguindo pela esquerda ao invés de continuar em frente. Entretanto, o grupo de fuga – que cumpriu à risca as indicações do percurso – recebeu ordens para parar e aguardar pelos restantes ciclistas e explicações. O director da Volta, Joaquim Gomes, confessou-se incrédulo e surpreendido com o engano do pelotão que, com isto, realizou mais 4 quilómetros que os inicialmente previstos. A etapa foi retomada aquando da chegada dos corredores ao local correcto. Os tempos de prova foram mantidos. Tratou-se de uma situação caricata que apenas vem reforçar um verdade assumida e incontornável: os Tugas têm sérias dificuldades em circular nas rotundas.

2016/08/26

CONFUSÃO NA MADEIRA

A marcação das eleições legislativas regionais na Madeira resultou do pedido de exoneração apresentado pelo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, na sequência da eleição de Miguel Albuquerque para presidente da Comissão Política Regional (PSD). Desenganem-se os que pensam que a política é aborrecida. Na Madeira pode acontecer quase tudo. Até um partido eleito, neste caso o PSD-Madeira, conseguir festejar a vitória eleitoral duas vezes em menos de três dias. Foi uma noite longa e extremamente controversa. Por volta das oito da noite, Miguel Albuquerque tinha perdido a maioria absoluta. Três horas depois do edital – afixado pela comissão de verificação da Assembleia de Apuramento Geral de votos – voltava a ser o vencedor. No meio desta indefinição várias pessoas, com responsabilidades políticas relevantes, efectuaram declarações baseadas no calor do momento. Tudo comentários que poderão ser apagados. Ou não...

A explicação oficial foi bastante simples. O esquecimento de incluir os dados da ilha do Porto Santo. O edital foi afixado consagrando a CDU. Após reclamação, a Comissão Nacional de Eleições, voltou a reunir, refez os cálculos e redigiu uma acta que anulou a anterior. Estragou os festejos dos apoiantes comunistas que já celebravam uma vitória histórica. Até muito tarde a incógnita seria revelada. Primeiro com um erro. Depois com uma certeza que merece recurso. Por fim, com uma reunião tensa entre representantes dos partidos para apaziguar os ânimos. As críticas multiplicam-se. Alguém tem de assumir a responsabilidade pela euforia momentânea e consequente balde de água fria. Porque isto, meus senhores, é brincar com as pessoas! Não se faz.

2016/08/19

O SONHO DO TEU FUTURO

Um dia depois e ainda sinto o nervoso miudinho da mais recente data que ficará gravada, para sempre, na cronologia da nossa gloriosa história. 10 de Novembro. O dia em que recuperamos a nossa liberdade perante a austeridade, crise, fascismo e outras coisas que queiram ver aqui escritas. E eu, ainda ganhei uma conta extra, do telemóvel, pois ultrapassei o plafond de Internet móvel para conseguir acompanhar novas de Lisboa. Na Assembleia teve lugar um debate, que durou dois dias, entre os dois pólos distintos. Os que queriam governar e os que queriam começar a governar. Confusos?! Não. O acordo inédito e histórico foi assinado e os partidos da oposição (a força de esquerda) apenas aguardavam pelo final do debate para entregar a moção de rejeição. Documento responsável pela queda do XX governo. O mais curto da história com 11 dias de duração. E mesmo assim deu para ver alguns aselhas e suas tristes figuras...

O povo saiu à rua! Algumas camionetas de excursão foram desviadas, da sua rota, para conseguir levar reformados até à capital. Todos a caminho das manifestações! Sim. Duas! Separadas por escassos metros e por alguns agentes de autoridade – assustados com o cheiro a naftalina – receando que os ânimos se exaltassem e tivesse lugar uma luta entre bengalas e andarilhos. Uns a favor da mudança política e os outros a favor do actual governo e austeridade. Já se gritava “liberdade”, “vitória” e “o governo caiu” duas horas antes da votação oficial. O entusiasmo tem destas coisas. A Grândola Morena também foi cantada. E assim foi o remake do 25 de Abril. Sem confrontos. Sem violência. Sem chaimites. Sem cravos. Mas, tendo em conta as reportagens televisivas, a cabidela e o vinho tinto ficarão como símbolo deste dia. Mas a história não termina aqui! Tem a palavra, Cavaco Silva. É aguardar. 

2016/08/12

POR RUELAS E CALÇADAS

Muitos comentadores desportivos fazem questão de acentuar as diferenças de orçamento, entre as várias equipas do campeonato nacional de futebol. Concordo plenamente! E não se trata apenas dos plantéis. A chegada do autocarro do Sporting ao Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas (recinto do Moreirense) não decorreu com tranquilidade absoluta. Enquanto centenas de adeptos, num clima de euforia, saudavam a equipa orientada por Jorge Jesus, uma manobra mal calculada, a entrar para o parque de estacionamento, levou a que a equipa ficasse cerca de dois minutos bloqueada à entrada. É certo que a manobra exige alguma perícia...

Ainda assim, o autocarro que transportou a equipa do Moreirense – mais calejado nestas andanças – passou sem dificuldades. A viatura dos leões não conseguiu entrar à primeira e acabou por ficar bloqueada. Com a marcha atrás a afigurar-se difícil, o autocarro do Sporting teve mesmo que esperar que uma carrinha, afecta à organização do jogo, fosse retirada. A situação não agradou aos leões e, inclusive, alguns elementos do “staff” saíram do autocarro. Os adeptos esperam que a equipa, durante o jogo, não encontre tantas dificuldades para conseguir chegar à baliza adversária.

2016/08/05

UM COMPLETO DESNORTE

Ricardo Salgado, ex-presidente executivo do Banco Espírito Santo, teve um império financeiro sob a sua alçada. Foi considerado o banqueiro há mais tempo no activo em Terras Tugas. Uma referência nacional e exemplo a seguir. Em 2014, graças a um processo de investigação, foi detido em sua casa por alegado envolvimento na maior rede de branqueamento de capitais alguma vez detectada por estes lados. A investigação está longe de estar concluída. E o juiz responsável decidiu que o acusado vai aguardar o desenrolar das investigações em prisão domiciliária, sem pulseira electrónica. Poderá sair excepcionalmente da habitação, com autorização do juiz. Recebeu também, como medida de coacção, a proibição de contactar os restantes arguidos no processo. O documento foi redigido e entregue às autoridades para que fizessem cumprir a vontade suprema do juiz...

O modo de garantir a vigilância e cumprimento das ordens judiciais ficaram a cargo da PSP de Cascais que admitiu dificuldades em assegurar este serviço. Problemas! A vigilância foi alterada porque durante dois dias um dos agentes esteve na porta errada. Revisto o dispositivo de segurança continuaram a ser necessários oito agentes policiais por dia. Pudera, o casarão é enorme! No terreno, alguns agentes anotaram a hora e as matriculas das viaturas que entravam nas instalações. Por vezes verificavam os seus interiores ou então, o número total de visitantes. A lista dos incontactáveis não chegou. Os agentes não souberam a identidade das pessoas com quem o ex-banqueiro não podia contactar. Um completo desnorte policial! Ordens judiciais imprecisas acabaram por afectar a reputação das forças de autoridade. Algo que, sinceramente deveria ter sido evitado num caso com tamanho mediatismo. 

2016/07/29

NA PAZ DOS ANJOS

Estou muito surpreendido com a diversidade de temas de que escrevo neste livro mas quando chegou, à minha mesa de trabalho, uma notícia de conflitos numa comunidade católica, por causa de um padre, até eu disse: «Isto está bonito, sim senhor!». Intrigas, cartas anónimas, vigílias, contestação e insultos, padres e políticos, chantagens e ameaças, suspeitas de corrupção. Um enredo que parece feito à medida de uma grande produção cinematográfica. Mas ainda muito longe da ficção aquilo que se passa na freguesia de Canelas, em Vila Nova Gaia. A confusão instalada parece não ter solução à vista. Há quem acredite que o assunto vai esmorecer com o tempo. Para já, a única certeza é que aos domingos, e dias santos, estão garantidas manifestações contra o pároco, indicado pela diocese, e reivindicação do regresso do padre Roberto Sousa...

O assunto saltou para os jornais quando, o padre Albino quis celebrar a sua primeira missa e precisou de sair com escolta policial. A população avoluma-se fora da igreja durante as missas. Os contornos são complicados. Tudo começou por causa se uma estátua a um antigo padre, que um grupo de moradores queria mandar construir para colocar no átrio da igreja. Um mero pretexto. Já ninguém se importa que sejam feitas homenagens, ou não. A diocese explica a sua decisão com um sistema de rotatividade de párocos. Para evitar hábitos. Já se perdeu o rasto de tanta reclamação junto de várias entidades. Os católicos – mesmo os que nunca apareceram na igreja – continuam unidos numa guerra santa contra o novo pároco. A procissão ainda vai no adro e, ao contrário do que se espera, a paz anda longe de estar entre eles.

2016/07/22

INFELIZES ROUBADOS

Março de 2016 revelou-se cruel para os alunos da Escola Condução Europa, em Matosinhos. Um papel afixado nas instalações foi o único aviso de que a escola se encontrava encerrada. Nada fazia prever tal cenário, inclusive dias antes foram aceites marcações de exames, inscrições e até descontos para pagamentos antecipados. A escola garantiu ter sido forçada a encerrar uma vez que a equipa de trabalho suspendeu, colectivamente, as suas funções. A nota informativa, escarrapachada na porta, explicava que tinham entrado em Processo Especial de Revitalização, o que não impedia o funcionamento. Os alunos lesados mobilizaram-se e dirigiram-se às instalações, para protestar, e ao Tribunal de Matosinhos. O processo está, contudo, a ser conduzido em Santo Tirso. São vários os alunos e familiares que quiseram agir judicialmente, tendo recebido indicação da nomeação de um administrador judicial provisório... 

A vontade é reaver os valores pagos. No entanto, a esperança em ter o dinheiro de volta é escassa, entre os queixosos. A principal preocupação é ter acesso às licenças de aprendizagem, para que possam continuar a tirar a carta de condução noutra escola. Segundo Daniel Soares – advogado representante de alguns queixosos – será difícil recuperar os valores investidos se a empresa está com dificuldades financeiras. Meses depois, a proprietária, Ana Mafalda Portela, mantém-se incontactável. A correspondência amontoa-se no chão, junto à porta de entrada, sem espaço para mais ordens judiciais. No painel publicitário – onde se lê o lema da escola: “aqui nós somos felizes”, alguém rasurou para “Infelizes roubados”. Desportivismo e humor. Assim se encara a realidade.

2016/07/15

UM OUTRO MELHOR BONJOUR

Começo com uma declaração de interesse: sou português! E é com um especial sentimento de felicidade que escrevo esta crónica. Depois de tantos relatos peculiares – de um povo que insiste em fazer tudo ao contrário – congratulo-me por escrever sobre um grande feito (até parece que alguém na Selecção Nacional leu o livro que escrevi). Ao contrário de muitos profetas, bruxos de última hora e alguns “vira-casacas” confesso que nunca admiti a nossa candidatura à vitória neste torneio de futebol (Euro ’16). Como tal, aqui e agora, penitencio-me. O futebol é irracional, imprevisível e tudo aquilo que lhe queiram chamar. Mais do que nunca 11 milhões de pessoas mostraram orgulho no seu país...

O mundo adormeceu com as imagens, cores e sons dos festejos nacionais. Os Tugas libertaram-se da maldita pequenez e inferioridade gritando, bem alto, “campeões”! Provavelmente, os franceses – que nos têm acolhido e dado emprego há tantas décadas – nunca esperaram este desfecho. Espero que o saibam aceitar. Sem represálias. Sem mau perder. Já bastou ver os seus jogadores arremessarem as medalhas. E, nas ruas de Paris, ver a circular (antes do jogo) um autocarro alegórico francês. Nas próximas semanas ouvir-se-á, um outro melhor “bonjour”. Habituem-se! Uma palavra para o “special one” José Mourinho. Em tempos, numa entrevista, revelou ter como terceiro objectivo na sua carreira: «dar ao seu país um título de campeão que ainda ninguém deu». Definiu 2018 como sendo a altura ideal. O Fernando Santos (novo herói nacional) não quis esperar. Para ele, para os jogadores, para toda a equipa técnica e para todos os atletas de outras modalidades (não os podemos esquecer) que elevam o esplendor de Portugal: um enorme obrigado.

2016/07/08

UM FENÓMENO CURIOSO

O I.P.M.A. é um organismo público que desempenha um conjunto de funções importantes. Contudo, tantos esforços de análise e interpretação de dados atmosféricos, de nada servem, pois quando emitem previsões e alertas, os Tugas, não ligam nenhum. Mas deviam. Nos Açores, o aviso de alerta tinha sido elevado para laranja, devido à possibilidade de ocorrência de fenómenos de vento extremo associados à forte instabilidade atmosférica. As nove ilhas estavam já sob aviso amarelo pela possibilidade de ocorrência de aguaceiros fortes, granizo e trovoada. Sem esquecer as fortes rajadas de vento. Na Ilha de S.Miguel, por volta das 12h00, as populações da Povoação e de Ponta Delgada, sentiram as mesas tremer, graças a um sismo de magnitude de 3,6 (Escala de Richter), que não provocou danos...

E por volta das 14h00, quando já se fazia à pista, no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, Bruno Jesus, o comandante do voo da Sata – proveniente do Funchal – resolveu falar aos seus passageiros: "Senhores passageiros, fala-vos o comandante. Apenas para vos dar conta de um fenómeno curioso que será visível do vosso lado direito dentro de cinco segundos. Um pequeno tornado no mar." Segundo o meteorologista, Carlos Ramalho, o fenómeno – que não causou estragos – durou minutos e ocupou uma área pequena. Em comunicado, a Protecção Civil informou que vai continuar a acompanhar o evoluir da situação. Contudo, a notícia não esclarece a reacção, dos tripulantes, após tal aviso. Provavelmente, uns aproveitaram para fotografar. Outros converteram-se a uma qualquer religião. E, deve haver um ou outro que ainda está agarrado à cadeira com medo de sair.

2016/07/01

LIVRAI-NOS DO MAL

Nada disto que escrevo vai alterar o rumo dos acontecimentos ou mudar mentalidades. Mas, todos os anos, por esta altura, repete-se a mesma história: o flagelo dos incêndios florestais. Tudo em nome da maldita ganância em arranjar maneira de vigarizar umas quantas apólices de seguros e conseguir despachar uns pinheiros que - segundo os proprietários - incomodam e ficam melhor quando trocados por eucaliptos. A estupidez e egoísmo destas bestas cega-os! Esquecem que o Homem não controla a Natureza e, que, o fogo é um elemento totalmente imprevisível! Em poucos segundos ganha "vida própria” e põe em causa populações envelhecidas, esquecidas e afastadas dos centros. Perder uma casa - esforço e sacrifício de décadas - é uma dor e agonia que não consigo descrever. Inclusive, quando há idosos acamados que não conseguem escapar sem ajuda dos vizinhos... 

Os bombeiros - lembram-se?! Aqueles barrigudos que acusamos de nada fazer durante o ano?! Sim, esses. Transformam-se em heróis! Desdobram-se em esforços sobre-humanos para lutar contra um inimigo demasiado poderoso! Arriscam as suas vidas a cada segundo. Conseguem, minhas bestas pirómanas, imaginar a angústia e desespero das famílias dos bombeiros que, neste momento, tentam corrigir o vosso gesto de estupidez?! E que dependem de equipamento obsoleto (cortesia de um ministro engravatado que não prescinde da sua viatura topo-de-gama). Há corporações com viaturas mais velhas que eu! Sei que tenho dedicado a minha escrita aos factos caricatos Tugas. Hoje não vou criticar! Quero transmitir a minha solidariedade e força aos que lutam contra a estupidez humana. Pois, sem dúvida, é ela a principal responsável por este flagelo! E parece não haver solução à vista.

2016/06/24

EM TEMPO DE DESCONTOS

A figura do polícia tornou-se presença indispensável em qualquer programa humorístico. Até nos cafés as conversas ou anedotas envolvem as forças da ordem. Uma atitude desafiadora da sua autoridade! Todos os seus gestos são observados ao pormenor. Certamente, quando os (poucos) leitores terminarem a leitura, desta crónica, vão julgar conhecer este agente. O estacionamento selvagem, numa das principais artérias da cidade, era uma dor de cabeça constante para o polícia destacado para o local. Os condutores – alheios à sua presença – aproveitavam qualquer distracção para prevaricar. E, se fossem apanhados, lá começava o “choradinho”. Curioso, como os Tugas, nesta situação, passam de heróis destemidos a pedintes gagos...

O agente, envolvido numa luta desigual, prosseguia o seu calvário durante as horas do turno. Demorava mais tempo a ouvir as desculpas esfarrapadas dos condutores do que a preencher a multa. E para quê?! Ninguém paga! Para conseguir sair a horas, mudou a estratégia. Na última hora do serviço não passava multas. Aproximava-se da viatura em infracção e, por lá, permanecia. Olhava em redor. Abria o caderno e segurava na caneta. Tudo isto com a máxima lentidão possível. Para que o proprietário da viatura pudesse chegar (a arfar) junto dele. Uma palavra mais severa e, por vezes, uma ameaça de reboque mas, no final, com ar magnânimo, deixava-o partir sem qualquer penalização. Desta forma impunha a sua autoridade sem necessidade de prolongar o turno e perder a sua boleia. Porque se o código é para cumprir, os horários de trabalho também são. 

2016/06/17

A "CHICO-ESPERTICE"

Os operadores de telecomunicações criaram conjuntos de ofertas consoante o grau de necessidade do utilizador. Sempre com uma filosofia de promover o bem-estar do cliente (nunca o lucro fácil dos administradores) incluíram serviços, sem qualquer utilidade, que obrigam à sua contratação. Surgem alternativas e soluções fáceis… Com o tempo, perdi acesso aos desportos motorizados e jogos de futebol. Passaram a estar incluídos nos serviços com custo elevado. Certo dia, a publicidade da “Sporting Tv” anunciou a transmissão, em directo, do Sporting vs Roma, a contar para o troféu “Cinco Violinos”, de pré-época futebolística. À hora marcada, devidamente apetrechado, estava pronto para ver o jogo! Ah! Que saudades da redondinha!

Hoje, ao recordar esse dia, não vos consigo dizer se os jogadores estavam de calças de ganga ou se o árbitro tinha muletas. Para o referido canal de televisão, a transmissão futebolística resumiu-se à imagem de uma câmara de vídeo apontada para a claque leonina! Um acontecimento épico! Noventa minutos de coreografia barata. Gritos, empurrões, saltos, cânticos, fumo de cigarro e especiarias. A assistir a tudo isto, do outro lado do ecrã, um pouco por todo o país – e talvez do mundo – vários telespectadores incrédulos. Entre eles, eu.

2016/06/10

O CARRO, O VELHO E O PASTELEIRO

A nossa alegria e hospitalidade são reveladas durante as épocas festivas. Altura ideal para esquecer as tristezas financeiras dos que trabalham para pagar impostos. Para além da gastronomia, as barrigas Tugas, recebem doces e bolinhos. E pouca educação cívica… À porta da confeitaria, estacionado em segunda fila, um senhor de idade avançada ignorava as buzinadelas dos condutores que queriam utilizar a faixa de rodagem que tinham direito. O importante era a sua esposa – impossibilitada de caminhar – que estava a comprar bolos e pastéis. Quem quiser que se desvie! O inesperado surge. Um pneu furado. A confusão instala-se quando o velho, arrogante e casmurro, recusa a ajuda dos transeuntes...

Mesmo, depois de constatar que, na fila de trânsito, se encontram duas viaturas de transportes públicos. Apesar do grau de dificuldade – pelo espaço disponível e postes de iluminação – subir o passeio revelou-se como a única solução para elas. No interior da confeitaria, o pasteleiro assistia a toda a agitação no exterior. Extremamente divertido com tamanha peripécia e com palavras menos simpáticas para o marido da sua cliente. Interrompeu as gargalhadas e sarcasmo quando avistou a lateral do autocarro, junto ao edifício. Em pânico, largou tudo e saiu a correr com um ferro na mão! Cá fora, desatou a gritar, ao motorista, para que este interrompesse a manobra, dando tempo para recolher o tolde publicitário e assim evitar despesas desnecessárias para a confeitaria. Assim, já perde a piada.

2016/06/03

UMA CRÓNICA SURREAL

Dado o teor das crónicas que escrevo tenho receio que os leitores comecem a pensar que tudo isto é fruto da minha imaginação. Pudesse eu dizer que sim. Quero garantir que são situações reais, bizarras e insólitas que espelham comportamentos exclusivamente “Tugas”…  Em Lisboa, um cidadão deficiente motor apresentou uma reclamação na esquadra da PSP. A queixa, ao contrário do que possam imaginar, incidiu sobre os elementos da polícia. Confusos?! Eu explico. O cidadão solicitou um reboque para remover a viatura de um “espertinho” que resolveu estacionar no lugar reservado a deficientes motores. Para muitos condutores a sinalização serve para decorar as ruas. Civismo é uma qualidade que os outros devem ter...

A viatura da polícia chegou ao local e um dos agentes, de imediato, pegou no livro de multas e começou a escrever com intuito de punir o condutor em infracção. Perante tal cenário, o cidadão perguntou, ao agente, o motivo pelo qual apenas preenchia a multa e não iniciava o procedimento de reboque, porque precisava de estacionar no respectivo local: «Vá perguntar ao condutor do reboque!». Assim fez, reforçando a sua intenção com o facto de outros colegas terem, no passado, retirado outras viaturas nas mesmas condições. Infelizmente tal desrespeito, pela sinalização, era já comum… O condutor do reboque recusou-se a efectuar tal manobra por não ter experiência suficiente. E, em caso de danos na viatura rebocada seria ele a suportar os custos. Com um salário tão miserável não ousou arriscar. O crime, por cá, compensa! Mas, pelo menos, os elementos da autoridade vão passando algumas multas… Já não é mau.

2016/05/27

PELA ORDEM E PELA PÁTRIA

A PSP, fundada em 1867, é uma força de segurança portuguesa com as missões de defesa da legalidade democrática, de garantia da segurança interna e de defesa dos direitos dos cidadãos. A sua grande visibilidade, tornou-a “polícia de excelência” em Portugal. Nem sempre…

Em Chaves, uma óptica foi assaltada tendo os meliantes levado mercadoria no valor de 25.000,00 euros. Para além da passividade da vizinhança – durante mais de trinta minutos ignorou o toque do alarme – os proprietários sentem-se revoltados com as forças de segurança. A loja está ligada a uma empresa de vigilância. Perante o alerta despoletado pelo alarme, de imediato, contactou o proprietário, Luis Aires, que tinha o telemóvel descarregado. De seguida, contactaram a Polícia. Sem sucesso, porque o número da esquadra tinha sido alterado. Sem aviso prévio, voice-mail ou reencaminhamento de chamadas foi impossível reportar o furto. Há dias em que tudo corre mal!

Depois do acto consumado, os proprietários deslocaram-se à esquadra para apresentar queixa. Teimosamente, receberam indicação, do responsável, que surgiria uma mensagem de voz a indicar o novo número. Efectuaram, logo ali, o teste! E, como seria de esperar, não surgiu qualquer mensagem de voz. Regressaram à óptica para aguardar a chegada da equipa policial tendo em vista o início das averiguações. Quatro horas depois, ainda não tinham chegado ao local.

2016/05/20

SOZINHOS CONTRA O TRÂNSITO

Várias civilizações consideravam o acumular dos anos como sinónimo de experiência e sabedoria. O mais idoso da tribo, ou população, era escolhido como o líder. Contudo, as faculdades mentais perdem-se com o avolumar da idade. Cá está! A ironia a marcar presença. A confusão instalou-se na rua que faz ligação à avenida principal. A viatura que seguia atrás arrancou antes da que estava à sua frente. Dois pára-choques amolgados. Resultado de tanta impaciência e destreza. Entretanto – graças ao estrondo – o local do acidente ganhou uma plateia considerável de curiosos e comentadores de ocasião... 

Os condutores saíram das respectivas viaturas para tentar conversar. Alguns leitores, certamente, já estão a imaginar uma cena de pancadaria! Mas não. Dois senhores, com idade já bastante avançada. Ficaram a observar as viaturas imobilizadas no meio da avenida e a tentar perceber como tudo aconteceu. Com uma calma celestial tentaram trocar algumas palavras. Não conseguiram. Fruto de uma audição diminuta e ruído ensurdecedor das buzinas dos restantes automóveis retidos. Um condutor de transportes públicos – também na fila – chegou junto do local para prestar auxílio. Depois de observar os (quase inexistentes) estragos nas viaturas começou a discutir com os condutores, pois segundo ele, bloquear a rua por dois riscos era inadmissível. De nada valeu. A surdez fez-se acompanhar pela teimosia. Chamem a polícia.

2016/05/13

UMA NOITE MÍSTICA

Uma constatação irónica mas verdadeira. Apesar das novidades tecnológicas torna-se bastante difícil conseguir agendar uma data para realizar um jantar entre amigos. À custa de muito esforço e persistência encontrou-se consenso no dia das Bruxas. As peripécias, dessa noite, influenciaram a minha crença, apesar de não ser supersticioso. A viagem Porto – Braga, realizou-se sob condições meteorológicas devastadoras. Em plena auto-estrada, foram percorridos quilómetros com a viatura mais iluminada que uma árvore de Natal, escovas limpa-vidros no máximo e uma velocidade inferior à de um tractor agrícola. A pluviosidade deu tréguas depois da (tão!) desejada saída para a localidade. Os caminhos mal iluminados, dentro do povoado, ficaram marcados pelos avisos luminosos de duas viaturas que seguiam em sentido oposto...

Como Tuga, especialista na condução, não liguei nenhum e ainda deixei sair um insulto. Eis que, de repente, avisto uma viatura de cor branca, imobilizada no meio da estrada, rodeada por água, com um brilho intenso que reflectia as luzes em redor. Tal como uma gôndola! E num rápido raciocínio, os maluquinhos das luzes, passaram a heróis! Livra. Mais à frente, uma grande quantidade de pessoas à entrada de um café. Estranho. Longe da televisão em dia de futebol?! A justificação não demorou. A escuridão que envolvia as casas permitiu perceber que estavam sem electricidade! Rapidamente, uma pequena graçola sarcástica acerca da infelicidade alheia! Durou até estacionar a viatura e reparar que, também, o nosso restaurante estava às escuras… Sem alternativa, o jantar foi servido à luz da vela. Mesmo sem saber o que jantei espero, ansiosamente, a marcação do próximo jantar. Com muito misticismo! Nem pode ser de outra maneira.

2016/05/06

MILAGRE!

Temos uma ideia pré-definida sobre certos locais ou instituições que resultam de más notícias, comentários, boatos ou outra espécie de relatos de fonte duvidosa que acabam por influenciar negativamente os nossos gostos e escolhas. Mas há sempre alguém disposto a confirmar. Pela primeira vez na vida, Jorge Gonçalo, deslocou-se a uma reunião da tão criticada Igreja Universal. Integrado no espírito celebrativo, partilhou as práticas e orações dos presentes. De repente, o Pastor aproximou-se do seu lugar. Olhou fixamente e perante a plateia apontou o dedo. Piedosamente, ele ajoelhou. O Pastor colocou as mãos na sua cabeça e disse em voz alta: «Irmão, tu vais caminhar!». 

E continuou a exclamar a mesma frase, várias vezes, quase em forma de grito, ignorando completamente o Jorge, que lhe garantia não ter qualquer problema de locomoção! A Assembleia, com as mãos no ar, começou também a repetir a mesma frase. A seguir o coro. Cada vez mais forte e com mais energia. Todos em júbilo repetiam a mesma frase: «Tu vais caminhar! Tu vais caminhar!». De nada servia contrariar… Optou por concordar. Quando a cerimónia terminou, deixou o edifício a pensar nos momentos estranhos e bizarros que tinha vivido. Como é possível tanta gente acreditar naquilo!? Que completo chorrilho de disparates! Contudo, acreditem que o maldito Pastor estava certo. Durante a cerimónia roubaram-lhe o carro. 

2016/04/29

UMA GRANDE CALDEIRADA

A soberania de um país é comparável ao papel do homem no casamento. Há igualdade de direitos mas as directrizes são sempre impostas pela outra parte. Nada a fazer! Portugal sofreu uma limitação de quota disponível, para a pesca da sardinha, durante os últimos meses. Durante este tempo poucos se importaram com os pescadores. Nem como conseguiram sobreviver ou garantir o seu fraco rendimento apesar das contas continuarem a chegar todos os meses! A restrição terminou. E, entretanto, algo mudou nas mentalidades politiqueiras Tugas. O canal de televisão “Sic” assegurou a cobertura mediática de um gesto tantas vezes repetido e sem tanta cerimónia: a pesca da sardinha... 

Foi possível acompanhar, a partir de Matosinhos, o regresso dos pescadores à faina. Contudo, analisando as imagens divulgadas, fiquei convencido que, no local, estiveram mais políticos do que pescadores. Com aspecto cansado, pois esta malta trabalha em horários nada saudáveis. A actual Ministra do Mar, o adjunto do secretário de Estado das Pescas, o Presidente da Câmara Municipal, a Presidente da Assembleia Municipal e, com certeza, outras individualidades importantes que fizeram questão de marcar presença e sorrir (ensonados) para as câmaras de vídeo. E pescadores? Filmados ao longe, dentro dos barcos, a tocar as sirenes. A reportagem seguinte abordou o mesmo tema, em Portimão. No entanto, por lá, nenhum político deu à costa. 

2016/04/22

TUDO SE PAGA...

A busca incessante pelo dinheiro dos outros não parece conhecer limites. Em nome da pseudo crise – e de um país em estado moribundo – tudo serve para tentar extorquir os indefesos e oprimidos. Em Almada, Carla Pereira foi visitar um familiar, internado em traumatologia, no Hospital Garcia Orta. Quando entrou no quarto estranhou o silêncio e o facto de a televisão estar desligada. Não é que a programação nacional seja grande coisa, mas sempre é uma distracção para alguém que está imobilizado numa cama de hospital...

Cheia de boas intenções aproximou-se do aparelho. Para seu espanto, reparou numa caixa metálica preta ligada ao televisor. Ao lado, uma pequena folha com detalhes técnicos e preçário. Sim. Preçário! Um euro para ver 90 minutos de televisão. Dois euros se preferir ver 180 minutos. Caso queira mais tempo, é favor levantar o rabo e colocar mais moedas! Estar acamado não é desculpa! Tudo se paga! É uma expressão utilizada pelas pessoas mais religiosas. Neste ou no outro mundo. E meus amigos, a crise é tanta que nem a eternidade vai chegar para saldar as dívidas.

2016/04/15

PONTO DE VIRAGEM

O nascimento conflituoso do Condado Portucalense vincou o nosso carácter pela audácia e coragem demonstrada perante as adversidades. A época dos descobrimentos é o exponente máximo! Intrépidos marinheiros conseguiram alterar o mapa mundial. Nas últimas décadas algo correu mal. Não consigo precisar qual o ponto de viragem (talvez se algum historiador estiver a ler consiga explicar) mas somos, agora, bastante diferentes dos nossos antepassados. Perdemos o espírito lutador! Exageramos nas desculpas...

No Brasil, teve lugar o mais recente episódio emblemático da nossa capacidade de atribuir as culpas. A selecção de futebol nacional, justificou a sua péssima prestação, no Campeonato do Mundo de Futebol, com o calor excessivo, falta de descanso e grandes deslocações. Tendo em conta que, tais fenómenos atingiram as restantes selecções e que os seus jogadores até se esforçaram, tal pretexto é irreflectido e caricato! Há seiscentos anos atrás, a frota de Pedro Álvares Cabral, demorou anos para conseguir realizar a viagem e ainda encontrou forças para desembrenhar as espadas e enfrentar os nativos. Com tanta destreza e vontade, nos dias de hoje, nem sequer os Açores conseguíamos descobrir. Pois para alguns, mais sensíveis, a água estaria muito fria. 

2016/04/08

O GAJO ADORMECEU!

As grandes superfícies comerciais apostam em eventos, de carácter familiar, para atrair mais consumidores para os seus edifícios. O grande número de lojas e praças de alimentação sobrelotadas são insuficientes para justificar visitas regulares. As datas festivas são ocasiões fantásticas para aproveitar este espírito consumista. E de que maneira! O Natal é o exponente máximo das festividades públicas. De tal maneira importante, pois, em pleno mês de Outubro já se encontra uma série de lojas com decoração alusiva. Tudo isto a pensar na carteira dos Tugas que, em Dezembro, anda um bocadinho mais bem composta. A estreia dos filmes de animação, o comboio turístico, a loja dos doces, o espectáculo no gelo (não interessa qual, desde que tenha gelo) e, principalmente, a chegada do Pai Natal. Que momento épico...

Tudo é pensado ao pormenor para que seja bem rentabilizado. O sacana do velho barbudo chega à hora de almoço e – como está cansado da viagem – ausenta-se para regressar, às três da tarde, para as fotografias. Os miúdos que (ainda) sentem a magia natalícia desconhecem a estratégia consumista que, também, os inclui. Contudo, há situações que não se podem prever ou controlar. Em 2014, a petizada esperou num espaço apinhado. Ao fundo um trenó vazio. Duendes a dançar numa mistura psicadélica de fumo branco e música. O elenco da pista de gelo a socializar e posar para as fotografias. Todos gritam pelo Pai Natal. Ele não aparece! Os relógios indicam 45 minutos para além da hora prevista. Falta a personagem mais aguardada! Onde se meteu o Pai Natal?! Neste caso, o actor que lhe dá a vida? O tempo não pára e ninguém consegue disfarçar ou negar rumores de uma triste realidade: o gajo adormeceu.

2016/04/01

UM CANTEIRO DE QUATRO RODAS

Os leitores – que perdem o seu precioso tempo a ler os disparates que escrevo – podem ter opiniões diferentes quanto ao desfecho desta crónica. Porque uns apreciam a Natureza. Outros, nem por isso… Durante vários meses habituei-me a visitar o “Pulgas” – nome fictício – para um gatinho preto, sem dono, que tomava um canteiro como sua habitação. Recebia restos de comida e água fresca de alguém que ainda gosta dos animais. Bastante dócil, ocupava o seu tempo entre mimos das crianças e longas sonecas à sombra da árvore. Mas a vida nas cidades é impiedosa! O aumento da população obriga a disponibilizar mais espaços para as viaturas. Estupidamente cortam-se as árvores! E assim, o “Pulgas” ficou sem sombra...

O seu canteiro ficou reduzido a um pequeno resto de madeira e ervas daninhas. Alheio a todo este frenesim continuou por lá, a receber comida, carinhos e a ronronar de felicidade. A Natureza deixou de embelezar o canteiro daquela avenida. Os Tugas já podem cuidar dos seus afazeres sem obstruir o trânsito. Deixam as viaturas em qualquer sítio para poupar no esforço físico! Civismo?! Quem é esse “gajo”?! Graças a este espírito de desenrasque, muitas vezes, o “Pulgas” tem de se afastar para não ser atropelado por quatro rodas de uma qualquer carripana que insiste em subir o passeio para estacionar no canteiro. Porque, infelizmente, há gente para tudo. Os outros, claro.

2016/03/25

SOLUÇÕES DRÁSTICAS

Ao longe, o toque desenfreado das sirenes captaram a atenção de todos os transeuntes que circulavam na avenida. Com preocupação, todos questionaram o motivo de tanto alarido e sua gravidade. E eis que surge, no horizonte, uma viatura reboque ao serviço da polícia municipal e uma viatura de socorro da corporação de bombeiros local. Rapidamente, uma pequena árvore, plantada no meio de um passeio público, transformou-se no centro das atenções. Não se vislumbrou qualquer indício do motivo da urgência! Tudo em redor estava normal. Motivo (mais que suficiente) para se formar um pequeno ajuntamento de observadores sazonais para avaliar o panorama. Entretanto, depois de colocar a escada, um bombeiro, desapareceu por entre as folhas...

Para combater a falta de informação, alguns dos presentes desenvolvem estranhas teorias. «Vão cortar os galhos». «É um ninho de vespas asiáticas». Um grito de comando, vindo do interior da árvore, interrompeu a formulação de teorias. Um segundo bombeiro começou a retirar a mangueira da viatura. Com o jacto de água, na pressão máxima – visível pela quantidade de folhas e ramos que arrancou – apontou para o centro da árvore. Fez-se silêncio. Perante o olhar curioso e apreensivo, de todos os que assistiram a esta manobra, surge em pleno estado de terror… um pobre gato! E depois de sentir as suas patas em solo firme iniciou uma fuga, em linha recta, com tamanha velocidade que julgo ainda não ter parado de correr.

2016/03/18

POBRE VAGABUNDO

Ao longe era bem perceptível um vulto deitado no jardim. À medida que a distância se encurtava foi possível observar um indivíduo, com aspecto menos cuidado, a ressonar bem alto, no meio do jardim da avenida. A relva húmida era um mero pormenor que, tendo em conta o ruído, não lhe perturbava o sono. Pelo contrário. Nestas situações a educação e caridade querem, de imediato, solicitar assistência médica. O senso-comum – impulsionado pelo aspecto do homem – quer ignorar e deixar o “gajo” para curar a ressaca. Debate interno inútil porque a chamada foi feita. A mota do INEM foi a primeira a chegar ao local. Primeiro com meiguice e depois com duas abanadelas conseguiu captar a atenção do dorminhoco. Uma única frase repetida: «deixem-me dormir!». Também saíram palavrões. Não vale a pena citar.... 

Os minutos passaram. Entretanto chegou a ambulância dos bombeiros. Receberam a indicação da pretensão do homem. Mesmo assim, foram dar umas quantas sacudidelas. A resposta foi a mesma. Regressaram para preencher a respectiva papelada. Nada mais havia a fazer! Levar alguém para o hospital só porque tem vontade em dormir. Quer no jardim? Assim seja! A polícia foi a última a chegar ao local (isto não é piada!). Dois agentes aproximaram-se, das equipas de socorro, e inteiraram-se da situação. Optaram, também, por abanar o pobre vagabundo. Fizeram-no com os pés (a autoridade tem uma maneira própria de agir). O desgraçado, que apenas queria dormir, farto de tanta agitação, levantou-se para mudar de rua e de jardim. Deixaram-no na paz dos anjos, na expectativa de ver o sistema de rega automático em funcionamento.

2016/03/11

HOSPITAL SEM LUZ

Os serviços informativos televisivos procuram que as suas equipas sejam as primeiras a transmitir as notícias de última hora. Contudo, na emoção do directo, nem todas seguem o código deontológico e, por vezes, a verdade altera-se enquanto os Tugas, do outro lado do ecrã, tentam entender o que raio se está a passar. Em Matosinhos, uma falha de electricidade provocou o caos no Hospital Pedro Hispano. Em Outubro de 2014, ficou às escuras, durante alguns minutos, à excepção das Urgências. Tal anomalia deixou em pânico os utentes internados e em situações de emergência, bem como, os familiares. A preocupação imediata foi para a Unidade de Cuidados Intensivos, uma vez que depende de equipamento médico que funciona a electricidade. A transferência de pacientes chegou a ser equacionada...

A equipa de reportagem do “Correio da Manhã” efectuou a cobertura desta notícia nas imediações do local. (não receberam autorização para entrar no recinto). Perante uma total falta de informação e com necessidade de ocupar o tempo de antena a repórter teve de inventar um bocadinho. Coisa pouca. Quem acompanhou o directo foi informado que o Hospital esteve cerca de uma hora sem luz com os geradores a funcionar em pleno. Os doentes foram transferidos (para onde não interessa) mas ninguém viu qualquer ambulância a sair do parque. A equipa de manutenção vai terminar no desemprego apesar de ter sido atribuída a responsabilidade à empresa de fornecimento de energia. Afinal, somos uns privilegiados por ter acesso a este tipo de jornalismo de excelência. Alguém quer mais esclarecimentos?!

2016/03/04

OS DIREITOS DOS AUTOMÓVEIS

Pela calada da noite, certos indivíduos têm vindo a realizar algumas acções de manifesto para os maus-tratos infringidos às viaturas automóveis. Visam a mudança de comportamento desleixado do proprietário. A mensagem é deixada no vidro traseiro. Aproveitam a elevada quantidade de lixo para, em letras garrafais, deixar uma mensagem bastante diplomática: «Lava-me porco!». As forças de autoridade apoiam esta luta. Certamente não andam a deixar mensagens nos vidros! Recorrem ao Regulamento do Código da Estrada! Mais concretamente o decreto-lei 987/54, artigo 23. Foi aprovado em 1954. Altura em que poucos tinham automóvel. Ainda hoje faz questão de se fazer sentir na nossa carteira... 

No Montijo, Jurandi Fernandes foi multado quando circulava na Rotunda do Apeadeiro (EN252). No documento oficial está patente que o veículo em que circulava apresentava o banco do condutor com o estofo roto! E quase esquecia de informar o montante da multa: 7,48 euros. Caros leitores, verifiquem o estado de conservação da vossa viatura. Pelo menos uma lavagem, de vez em quando. Lembrem-se que os maus-tratos automóveis são punidos por lei. E nestas coisas, o código é para se cumprir.

2016/02/26

PREPARADOS PARA A DESGRAÇA

Quero pensar que este trabalho vai ter, talvez, algum valor histórico. Um registo fidedigno das nossas atitudes e comportamentos perante as adversidades. Tal como Luís de Camões, quando à boleia de uma caravela, se furtou aos trabalhos náuticos em nome do livro que estava a escrever! Em finais de 2014, os Tugas ficaram a conhecer o vírus Ébola. De facto, algo bastante preocupante pelo seu grau de contágio e mortalidade. É algo sério e, certamente, não vou ironizar com esta tragédia. Quero deixar bem claro que os esforços desenvolvidos, por estas bandas, para enfrentar esta situação epidemiológica, deixaram-me extremamente orgulhoso! (Agora sim, estou a ironizar!). Surgiu em Espanha o primeiro caso europeu confirmado. Aumentou o nosso nível de insegurança...

A pergunta repetia-se, de boca em boca, estarão os hospitais preparados para lidar com o vírus?! E as instituições?! A resposta veio pelo director-geral da Saúde, Francisco George, que aos canais de televisão mostrou, para nossa tranquilidade, o “uniforme oficial” das equipas médicas preparadas para enfrentar o vírus. Ao contrário dos fatos de protecção vistos noutros países, foi mostrada uma panóplia de retalhos. Um hospital cedeu a enfermeira para servir de modelo fotográfico. Um pintor de automóveis emprestou o fato de protecção com máscara facial incluída. Um agente da polícia de intervenção emprestou a viseira. Estamos prontos para a desgraça! Perante a Comissão de Saúde, na Assembleia da República, criticou todos os que afirmaram que o país não estava preparado, sendo o controlo da contaminação o maior desafio. Realmente, com tudo isto, não há motivos de preocupação.

2016/02/19

SINAIS DE MUDANÇA

A ditadura que assombrou Portugal, durante décadas, começou o seu declínio em Agosto de 1968. O Presidente do Conselho foi derrubado por uma simples e barata cadeira de lona enquanto gozava férias. A queda provocou um hematoma cerebral que limitou a sua capacidade de raciocínio. O fim da ditadura graças a artigos de pouca qualidade. Em 2014, na Guarda, o Presidente da República sentiu-se mal enquanto discursava nas cerimónias do Dia de Portugal, marcado pelos protestos. Foi levado em braços, deitado no chão e recebeu assistência de bombeiros, médicos do INEM e sua equipa médica pessoal. O Major-General-Médico declarou que foi uma “reacção vagal” (princípio de desmaio) da qual recuperou rapidamente, nunca tendo perdido a consciência e sempre com intenção de concluir o discurso... 

Durante a assistência médica, os manifestantes continuaram a gritar as palavras de ordem: «Governo para a rua!». Posteriormente, a cerimónia foi retomada com um pedido a todos que a perturbavam: respeito por Portugal e pelas Forças Armadas. Ouviram-se aplausos mas, mesmo assim, os manifestantes não se calaram. Para restabelecer a ordem pública, elementos da PSP, aproximaram-se dos desordeiros. Acompanhados por lindos cãezinhos com uma vontade expressa de causar estragos com os seus dentinhos. Fica um pensamento: tal como aconteceu há 46 anos, será este novo abalo presidencial um sinal de mudança de rumo e novo governo?!

2016/02/12

UM GRANDE CALOTEIRO

Não faço ideia quem inventou os impostos mas gostava de lhe dar umas palavrinhas! Por terras Tugas, desde que a crise chegou, tudo serve para nos esvaziar a carteira! Em nome da dívida contraída. (Apesar de não me lembrar onde gastei tantos milhões). Em Paços de Ferreira, Augusto Gonçalves sente um misto de espanto e revolta. Ciente das suas obrigações fiscais – e matrimoniais – deslocou-se às Finanças de Lousada para efectuar o pagamento do IUC (imposto único de circulação). O funcionário, depois de consultar o sistema informático, informou da existência de uma penhora efectuada ao vencimento da esposa, referente a uma dívida de juros no montante de cinco cêntimos! Não, não é engano...

E foi ainda informado que, caso pretenda, pode equacionar propor o pagamento em prestações. A infalível máquina fiscal actuou sem misericórdia! Porque se exige justiça para com os contribuintes. É fundamental aplicar sanções fortes para os incumpridores e prevaricadores! É por causa destes caloteiros que o país está em crise! Que descaramento! Cinco cêntimos! Permitam-me que apresente as minhas desculpas. Caramba, às vezes nem eu próprio consigo explicar os disparates que escrevo.

2016/02/05

NINGUÉM VAI ACREDITAR NISTO...

O drama dos fogos florestais e falta de meios, das autoridades competentes, não é qualquer novidade ou motivo para graçolas. Mas há alturas em que as forças no terreno duvidam da sua sanidade mental. Em Caminha, bombeiros, sapadores, agentes da GNR (Guarda Nacional Republicana) e outros operacionais desenvolveram esforços numa serra árida consumida pelas chamas e submersa num manto de fumo denso. Enquanto alguns habitantes abandonavam as suas casas para fugir do fogo, um repórter televisivo – numa reportagem em directo – foi surpreendido pelo pivô (também ele incrédulo) perante uma imagem curiosa no meio das chamas: um astronauta... 

José Rodrigues, bigode branco até ao queixo e tocador de concertina nas romarias, estava longe de imaginar que o seu “amigo”, vindo de França, se transformaria no foco de atenção daquele dia. Não há registo do nosso envolvimento na conquista do espaço. Pelo menos, directamente, pois há Tugas a trabalhar para a Nasa. (Curiosamente, na presença de outros povos e noutro país, conseguimos fazer boa figura). Enquanto as labaredas gigantes lhe cercavam o lar, estava risonho e confiante de estar a salvo, contrastando com o pânico da esposa Arminda. O maior incêndio da última década, na serra onde escolheu viver após anos de emigração, acabou por não atingir a sua habitação. O seu astronauta foi uma “estrela” nas redes sociais. José ri-se de tudo isto.

2016/01/29

A LENDA DO ABUTRE DA MAIA

Durante vários anos – fruto da vontade política dos sucessivos governos – a linha de metro termina na cidade da Maia, junto ao Ismai. Outrora, o comboio serviu as pessoas que se deslocavam até à Trofa. Os locais nunca se conformaram com esta decisão e reclamam, constantemente, pela chegada deste transporte público. Um anúncio governamental, com o intuito de prolongar a linha, reacendeu os ânimos e expectativas. Os mais saudosistas quiseram visitar o antigo traçado da linha de comboio. Actualmente coberto com vegetação bastante densa e algumas árvores. Contudo, o acesso está vedado e monitorizado pelas forças de vigilância privada. Mas, mesmo assim... 

Para afastar os curiosos – que não aceitam o não como resposta – um cidadão local (enquanto aguardava a chegada do metro) explicou a um grupo de pessoas que tamanha segurança estava relacionada com o abutre do Ismai! Uma ave enorme que surge por entre a vegetação para reclamar o sossego da floresta e que detesta forasteiros. Inclusive, condutores do metro quando param as composições no final do serviço. Alguns recusam-se! A linha termina na pequena floresta, porque ninguém ousa enfrentar a fera! Incrédulos, não quiseram arriscar. Dias depois, um jovem foi interceptado pelo vigilante. Estava vestido com um fato de plástico, máscara e chapéu. Tinha um pau na mão. Bastante alterado, gritava que tinha de chegar à floresta para matar o abutre, destruir a lenda para que o metro chegue à Trofa! Tinha de ser! À paulada! Agarrem-me que eu vou-me a ele! Ah, maldito abutre! Um produto da imaginação aventureira humana que se espalhou e que serviu para motivar. Porque é fundamental ter algo em que se acredita. Mesmo que seja uma brincadeira. Ou não.

2016/01/22

UNIFORMES AO BARULHO

Depois de escrever sobre tantos relatos peculiares, deste cantinho à beira-mar, tenho de admitir que ainda surgem algumas situações que me fazem duvidar da capacidade de discernimento Tuga. Uma ambulância do INEM (Instituto Nacional Emergência Médica) foi accionada para transferir uma doente, com enfarte agudo do miocárdio, do Hospital Caldas Rainha para o Hospital Santa Maria, em Lisboa. Durante a viagem, na auto-estrada A8 (Leiria a Lisboa) a senhora, de 80 anos, acabou por falecer, tendo o óbito sido declarado pela equipa médica. Segundo a legislação, a ambulância está proibida de transportar cadáveres. A tripulação aguardou a chegada das autoridades para que fosse efectuada a remoção do corpo...

Quando a Brigada de Trânsito chegou – e para espanto de toda a equipa dos Bombeiros Voluntários de Óbidos – multou o condutor por infringir o Código da Estrada e pôr em risco a circulação. Segundo o comandante dos Bombeiros, Carlos Silva, a viatura estava parada na berma. Devidamente sinalizada. Algo que a polícia resolveu ignorar, como prova a multa de 120,00 euros aplicada à corporação e ao condutor. Entretanto, num comunicado oficial sobre a situação, a G.N.R. esclarece que o expediente vai ser arquivado, por se ter verificado não existir infracção. A multa será arquivada. Mais um episódio caricato, que acontece num país pequeno, com muitas regras e demasiados egos.